Claudia Penteado, no Consumo e Propaganda

Na cúpula de Davos de 2008, a respeito dos fenômenos que irão abalar a humanidade nos próximos 15 anos, um futurólogo apontou que um dos principais será o desaparecimento do livro. E que se isso vier a ocorrer, as consequencias para a humanidade serão semelhantes às da escassez prevista da água, ou do petróleo inacessível – também fenômenos esperados.

Umberto Eco, discorrendo sobre o futuro do livro, diz que tudo pode acontecer. “Amanhã, os livros podem vir a interessar apenas a um punhado de irredutíveis que irão saciar sua curiosidade nostálgica em museus e bibliotecas”, observa. Para o escritor, no entanto, os suportes modernos tornam-se rapidamente obsoletos e se ele tivesse que salvar alguma coisa diante de uma ameaça ao planeta que fosse facilmente transportável – e que já deu provas de sua capacidade de resistir às vicissitudes do tempo -, escolheria o livro.

O tema permeará as discussões no 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que será realizado entre 10 e 11 de maio, em São Paulo.

O publicitário Washington Olivetto estará lá, falando sobre “A força das mídias digitais na divulgação do livro”, no dia 11 de maio. O evento será realizado no Centro de Eventos da Fecomercio. Olivetto também é desses para quem o livro impresso é insubstituível. Aproveitei para bater um papo com ele sobre o assunto.

O livro impresso vai acabar?
Olivetto – Soube que na última feira do livro de Frankfurt, fixou-se o ano de 2018 como o marco de domínio do livro digital, que passará a prevalecer sobre o livro de papel. Mas eu não concordo com esse dado. O livro digital e o de papel vão acabar convivendo pacificamente, um complementando o outro.

A plataforma digital será a principal, no futuro?
Olivetto – O fundamental é ter uma ideia central forte que possa se comportar bem em cada uma das plataformas, que por sinal estarão cada vez mais interligadas. Digital e analógico serão uma coisa só. Tradição e modernidade vão se unir.

Você lê livros digitais? Em que plataforma?
Olivetto – Tenho livros de cabeceira. Leio sempre dois ou três ao mesmo tempo. Sou um leitor ofensivo, daqueles que lêem para saber o que os outros ainda não sabem. Sou também desprovido de preconceitos. Leio do popular ao erudito com o mesmo prazer. O impresso e o digital.

Que vantagens vê no e-book?
Olivetto – O livro digital é de muito fácil acesso e bastante prático.

Que vantagens vê no livro impresso?
Olivetto – O prazer do livro de papel é insubstituível.

Como será sua palestra no Congresso do Livro Digital?
Olivetto – Vou falar aproximadamente por 1hora e meia sobre diversos temas ligados a comunicação e publicidade, cultura popular e sobre o futuro da propaganda, seja ela analógica ou digital. Mostro casos de sucesso e não abro mão da grande idéia – elemento fundamental na comunicação, seja qual for a tecnologia.

O que você está lendo?
Olivetto – Os Imperfeccionistas, O Rei da Roleta e a biografia do Sinatra.

dica do Jarbas Aragão

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