Publicado por Peculiarizar

Um dos aspectos dos livros infantis, um dos mais importantes, é a presença de ilustração. Falei há algum tempo da importância do aspecto da ilustração nos livros infantis e torno a este tema.

Somos absolutamente seres visuais. Você se lembra, em maior ou menos escala , de todas as imagens que você viu. Se você duvida disso tudo, faça o seguinte exercício: pense em uma maçã e desenhe-a, conforme pensou. Retomo isso em breve…

De fato, nos contatos iniciais com a leitura, as crianças ainda não foram introduzidas ao código da escrita, por isso as imagens têm um papel fundamental na compreensão das histórias, da ideia de mundo e na própria compreensão do indivíduo.

Fundamental, portanto, reconhecer o momento e a oportunidade da leitura mediada. A escrita é um código, um símbolo, uma senha e sua função é traduzir o que o pensamento nos transmite.

Retorno: você pensou em maçã vermelhinha, maçã verde, maçã mordida, logomarca da apple, mas não pensou em MAÇÃ, isso, assim escrito. Isso porque, como falei, o nosso pensamento giram em torno de imagens e o código da escrita serve apenas para traduzí-lo.

Não concorda!? Sem problemas, não sou eu, é a neurolinguística quem comprova cientificamente o que falei acima. Pensamos em imagens!

Ser mediador da leitura não é ser mediador da imaginação

Para se trabalhar com livros que contam histórias a partir unicamente da ilustração, não se deve cometer o equívoco de interpretar totalmente o que traduzem as imagens. Não se pode incorrer no mesmo erro de muitos educadores e incentivadores da leitura que, ao trabalharem o gênero da poesia, presumem o entendimento ou a emoção (ou falta dela) que a criança pode sentir. Trabalhar como mediador da imaginação é abrir a porta de criatividade da criança:

Ao apresentar um livro com história ilustrada, não convém:

  • Ser óbvio, quanto às explicações das ilustrações;
  • Querer que a criança interprete o que está ali com a mesma perspectiva do mediador;
  • Querer que a criança vislumbre apenas o conteúdo que o autor pretendia, aparentemente, transmitir;
  • Reduzir a capacidade de interpretação ou imaginação da criança, em razão dela não ter externalizado o seu pensamento.

Ao apresentar um livro com história ilustrada, CONVÉM:

  • Soltar a imaginação;
  • Permitir que a criança conte a história com suas próprias palavras;
  • Criar uma história com ela a partir das imagens;
  • Provocar na criança a admiração pela arte, evidenciando as cores e a arte;
  • Provocar a criança a escrever sua própria história com ilustrações.

Um ótimo exemplo para ilustrar isso que falei é o livro Aranha por um fio, de Laurent Cardon, cuja capa estampa esta matéria. Fiz a experiência de “lê-lo” com a pequena. A pergunta dela com as páginas iniciais sem as letrinhas é “Mas este livro não fala, não”? A afirmação dela se deu em razão de sua introdução ao código da escrita e do seu pouco contato com livros com ausência de texto escrito.

Reproduzi os passos que indiquei acima e o resultado foi extremamente positivo. E a partir dela, eu pude perceber informações que, nem eu mesma supus na minha análise inicial. O livro, que trata de como a pequena aranha começa, a partir de sua mãe, perceber suas funções vitais, também traz um viés de amor, esforço e consciência de si mesmo, ensinando que, mesmo apesar das nossa própria condição existencial, tempos escolhas e podemos mudar o curso de nossas intenções.

E muito mais histórias a partir da interpretação de cada pequeno leitor…

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