Publicado por OBVIOUS

Cabina telefónica: equipamento urbano fora de época ou oportunidade? O arquitecto John Locke defende a segunda opção e, por isso, resolveu transformar dois desses equipamentos urbanos em micro bibliotecas, onde qualquer transeunte pode pegar um livro e trocá-lo por outro que queira partilhar com a comunidade local.

© John Locke.

A par dos 17 milhões de telemóveis utilizados pelos cidadãos de Nova Iorque, existem ainda na metrópole mais de 13 milhares de cabinas telefónicas, verdadeiras “relíquias, símbolo de uma tecnologia à beira do desuso total (…), que nos remetem para um espaço público perdido do qual poderemos nunca mais voltar a usufruir”. Quem o diz é John Locke, o autor da ideia e fundador do Departamento de Melhoria Urbana, movimento de intervenção ao qual são chamados todos os nova-iorquinos que tenham projectos para aproveitar, da melhor forma, os recursos da cidade.

A iniciativa de criar uma mini biblioteca aberta a todos os residentes teve um primeiro ensaio que não correu tão bem – além de não ter havido qualquer troca de livros (o que deixou as estantes completamente vazias seis horas depois), a estrutura foi vandalizada. Uma mudança de localização e o registo de uma marca em cada livro disponibilizado foram as soluções escolhidas para garantir o sucesso da nova tentativa, tudo em nome da continuidade desta “reprogramação” urbana.

“O mais importante é que as intervenções propostas sejam concretizadas. Todo o objectivo da melhoria deixa de ser válido se for apenas baseado na idealização. (…) Apenas interessam os projectos tangíveis; os intangíveis já têm lugar de destaque nos blogs de design meramente especulativos”, lê-se no manifesto publicado online.

© John Locke.

© John Locke.

Materializar os conceitos de comunidade e cidadania é, portanto, o grande mote do Departamento de Melhoria Urbana, envolvendo os residentes em intervenções que afectem directa e positivamente o seu quotidiano, na sua própria localidade. Um primeiro passo dado nessa direcção foi o facto de pedir às pessoas do bairro onde se encontra a cabine que elas próprias doassem livros que pudessem ser lido por outros que retribuíssem o gesto. E assim aconteceu, embora John Locke admita ter sentido algum cepticismo por parte de muitos transeuntes que se depararam com a inusitada biblioteca e hesitaram em levar consigo uma das obras disponíveis, como se, nas grandes cidades, a confiança tivesse assumido definitivamente a forma de preço.

Dado curioso #1: o modelo da estante, fabricado especificamente para este fim, em contraplacado, não interfere com o funcionamento do próprio telefone, que continua activo e apto a ser utilizado por qualquer pessoa que dele necessite.

Dado curioso #2: em Kingston, no Reino Unido, foi desenvolvido um projecto semelhante, chamado “phoneboox”, da responsabilidade do consultor de media James Econs: “Não é preciso ter uma especialidade para fazer com que as coisas aconteçam. Eu não sou designer, nem carpinteiro, nem passo demasiado tempo a ler. Simplesmente, tive uma ideia e concretizei-a”, cita o site designboom.

without really caring whether it would be a success.’
Mais sobre John Locke e os trabalhos que tem realizado no site gracefulspoon.

© John Locke.

© John Locke.

© John Locke.

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