Publicado por Hype Science

Em 1998, um estudo com macacos Rhesus marcou época. Pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, liderados por Elizabeth Brannon, mostraram que esses animais podiam contar. Por meio de experimentos, Brannon descobriu que os macacos ordenavam dois conjuntos, pondo aquele com menor número de elementos antes do segundo.

Agora, cientistas da Universidade Aix-Marseille, na França, descobriram que babuínos conseguem ler – embora sem aparente compreensão – e diferenciar palavras existentes de palavras falsas. Seis babuínos fizeram parte dos testes que levaram a tal resultado.

No nível mais básico e simplório, para nossa compreensão, ler não é nada mais que reconhecer padrões, diriam muitos cientistas. “Nós olhamos as letras ou outros símbolos e os identificamos com base no número de caracteres, posição e ângulos das linhas”, explica o pesquisador behaviorista Jonathan Grainger, autor do estudo. Essa é uma tarefa trivial por se tratar de letras, objetos não muito diferentes de qualquer outro em nosso ambiente. Um pombo pode ser treinado para fazer isso.

Mas o próximo passo é que é difícil, e aí é que reside o pulo-do-gato da pesquisa francesa.
Nós juntamos as letras e formamos palavras ao olhar suas posições relativas umas às outras. Isso é chamado de “processo ortográfico”. Esse é o estágio em que a linguagem toma seu lugar. E conforme vamos vendo esses conjuntos de letras, pensamos nos sons que elas representam e lemos mentalmente em voz alta.
Com esse experimento, Grainger demonstra que o processo ortográfico pode acontecer sem qualquer conhecimento da língua, ou sem saber como as palavras deveriam soar.

Os experimentos com os babuínos

Em seu laboratório na França, Grainger treinou os seis símios em questão para reconhecerem palavras inglesas. Segundo o cientista, eles aprenderam rápido e podiam, inclusive, categorizar palavras que eles nunca tinham visto. Isso indica que o ato de ler palavras é uma versão mais avançada da habilidade de reconhecer padrões, que nos permite identificar as letras. Tudo indica que é uma habilidade presente desde muito antes dos primeiros humanos rabiscarem sua primeira letra.

Os babuínos viveram em ambientes especialmente planejados, onde podiam se voluntariar para experimentos, quando estivessem com vontade. Havia telas sensíveis ao toque que faziam aparecer palavras inglesas de quatro letras, como ‘done’, ‘land’ e ‘vast’ (feito, terra, e vasto, respectivamente, em uma tradução descontextualizada), ou palavras que não existem no idioma, tais como ‘dran’, ‘lons’ e ‘virt’.
Então, o animal deveria categorizar todas as palavras, simplesmente tocando em uma de duas formas. Se acertassem, ganhavam uma retribuição apetitosa.

E vale ressaltar que nenhum dos babuínos submetidos ao experimento tinha jamais visto letras ou palavras em suas vidas. Mas depois de um mês e meio, e milhares de tentativas, todos os macacos aprenderam a distinguir as palavras com 75% de precisão. O mais bem sucedido entre eles foi Dan, que formou um vocabulário de 308 palavras. Incrível, não? [DiscoverMagazine]

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