Gustavo Chacra, no Estadão.

A Microsoft decidiu entrar no disputado mercado de livros eletrônicos, ao se associar ontem à livraria americana Barnes & Noble, fabricante do e-reader (leitor eletrônico) Nook, em uma iniciativa que deve aumentar a competição neste setor controlado pelo Kindle, da Amazon.

O acordo entre a empresa de Bill Gates com a maior livraria dos Estados Unidos prevê um investimento inicial de US$ 300 milhões agora e o mesmo valor ao longo dos próximos anos. Em troca, a Microsoft será proprietária de 17,6% da unidade do Nook e também de vendas da Barnes & Noble ligadas a universidades.

Analistas frisavam ontem que essa nova unidade que será criada com a sociedade entre as duas companhias terá um valor de mercado de US$ 1,7 bilhão, superior ao restante da Barnes & Noble, que ontem estava em cerca de US$ 800 milhões.

Nos últimos anos, a empresa fechou uma série de livrarias ao redor dos Estados Unidos, optando por se focar no mercado de livros eletrônicos. A Borders, sua principal rival em lojas físicas, decretou concordata no ano passado.

Logo depois do anúncio, as ações da Barnes & Noble dispararam e fecharam em uma gigantesca alta de 60%. Os papéis da Microsoft, que estão em seu patamar mais elevado nos últimos quatro anos, permaneceram inalterados.

A nova empresa criada pela sociedade entre a Microsoft e a Barnes & Noble ainda não tem um nome. A Microsoft, em comunicado, a denominava apenas pelo nome genérico de “Newco”.

Aplicativo. Segundo a Microsoft, um dos benefícios da parceria será a inclusão de um aplicativo do Nook no sistema operacional Windows 8, que deve ser lançado nos próximos meses em tablets e também celulares, como já existe no iPad e em tablets que utilizam o sistema Android, do Google. William Lynch, presidente da Barnes & Noble, acrescentou que o acordo “tem a estratégia” de colocar sua empresa “na liderança do mercado de e-books”.

Analistas demonstram ceticismo sobre esta possibilidade. Atualmente, a Amazon possui 60% do setor de livros digitais nos Estados Unidos, sendo acusada por algumas editoras de monopólio. A Barnes & Noble, com o Nook, ocupa a segunda colocação, com 30%, seguida pela Apple, com sua livraria digital associada ao iPad.

Em uma ação que contribuiu ainda para a liderança da Amazon, no mês passado, a Apple, junto com seis editoras, foi acusada pelo Departamento de Justiça dos EUA de agir em cartel para elevar o preço das obras vendidas digitalmente. A decisão foi celebrada pelas rivais, que costumam vender os livros sem lucro ou até mesmo com perdas para ganhar mercado.

Além dos tribunais, os e-books da Amazon e da Barnes & Noble têm a vantagem de serem mais leves que o iPad, que é bem mais do que um e-book. A emissão de luz pelo aparelho da Apple também incomoda alguns leitores. Nos outros dois, a experiência da leitura se aproxima mais da de um livro físico.

“A mudança para os livros digitais está colocando todas as bibliotecas e livrarias do mundo na palma da mão de uma pessoa. É o começo de uma era que impactará na forma como as pessoas leem”, afirma Andy Lees, diretor da Microsoft. “Nossas qualidades complementares (de sua empresa e da Barnes & Noble) devem acelerar a inovação dos e-books por meio de aparelhos Windows, permitindo não apenas que as pessoas leiam histórias, mas sejam parte delas. Estamos no início de uma revolução da leitura”, acrescentou.

No comunicado, as duas empresas também disseram que pretendem ampliar as operações globais do Nook, hoje focadas nos EUA. A unidade de e-book registrou um crescimento no faturamento de 38% no último trimestre.

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