Gabriella Mancini, na Folha.com

Flávia Lins e Silva e Liu Hong com a bebê Lili Liu, na Inglaterra (arquivo pessoal)

Flávia Lins e Silva, roteirista e autora da série “Diário de Pilar“, nunca foi à China. Mas conheceu bastante sobre a cultura do país em uma troca de e-mails com outra escritora, a chinesa Liu Hong, que hoje vive na Inglaterra.

As duas resolveram escrever juntas, via internet, o livro “Nas Folhas do Chá“, lançado no Salão FNLIJ do Livro, que terminou no domingo (29). Foi um trabalho de dois anos. Assim como as autoras, as protagonistas do livro vivem em países diferentes e não se conhecem pessoalmente. Gabriela, 13, mora no Rio de Janeiro. E He Juhua, 13, em Pequim.

Além de trocar confidências, cada uma aprende bastante sobre o país da nova amiga. He Juhua descobre trechos de poesia brasileira, aprende sobre nossos indígenas e o Carnaval. E Gabi aprende palavras em outra língua, conhece o Festival da Primavera e a comemoração do Ano-Novo chinês. E descobrem, principalmente, que têm muito em comum apesar da distância.

“Nas folhas do chá” é o primeiro livro da coleção Quatro Mãos, idealizada por Flávia para apresentar outras culturas aos jovens leitores.

A autora conversou com a “Folhinha” e contou como foi essa “aventura literária”.

Folhinha: Como você e Liu Hong se conheceram?

Flávia: Eu e Liu Hong nos conhecemos por e-mail. Na Bienal do Livro, esteve no Rio a escritora chinesa Xinran. Foi ela quem deu a dica da Liu Hong. E Liu Honge foi uma parceira incrível!

E como surgiu a ideia de escreverem juntas?

Fiz um curso para editores e cada participante devia criar uma editora. Como não queria fazer isso, sugeri uma coleção de livros para a [editora] Zahar. E foi bom que a minha editora logo acolheu a ideia.

Capa do livro "Nas Folhas do Chá" (divulgação)

Conte como foi o processo. Cada uma escrevia um capítulo?

O processo foi muito interessante. Eu inventei a Gabi, uma personagem de 13 anos. Liu Hong inventou a Juju, que também tem 13. E passamos a trocar e-mails com os textos das personagens, sem saber aonde esta história iria parar. Foi uma verdadeira aventura literária!

Vocês se conheceram pessoalmente. Como foi o encontro?

Só depois que o livro ficou pronto é que fui conhecer minha parceira Liu Hong. Ela é casada com um inglês e mora perto de Londres. Então, tomei um trem em Londres e fomos passear juntas por Avebury. Foi um dia delicioso. Depois, ela me levou à casa dela, cozinhou um arroz à chinesa, cheio de camarões, muito gostoso. E tomamos muito chá de cristântemo juntas. Sabe, levamos dois anos escrevendo este livro. E no meio do livro nasceu a pequena Lily Liu, filha da Liu Hong [foto acima], que adorei conhecer. A bebê mais fofa do mundo! Loirinha, de olhos puxados, uma gracinha!

Nessa troca de informações com a Liu Hong, que aspectos da China mais te impressionaram? E o que mais impressionou Liu em relação ao Brasil?

Eu sabia muito pouco sobre a China e Liu Hong também sabia pouquíssimo sobre o Brasil. Então foi uma troca interessantíssima, porque nós duas tínhamos real curiosidade em relação à cultura uma da outra. Durante o livro, fiquei com uma vontade imensa de aprender a escrever chinês, fiz até algumas aulas, mas precisaria de muito mais tempo para estudar pra valer.

Assim como as personagens, vocês também descobriram ter muito em comum?

Nós somos bem diferentes! (risos) Mas trocamos muitas confidências e segredos durante o livro, claro. São confidências tão secretas que não posso contar aqui!

Você também tinha o hábito de trocar cartas com amigos quando era mais nova?

No curso de inglês, quando garota, incentivaram a turma a escrever para um “pen friend”, um amigo desconhecido. Eu escrevi, mas nunca tive resposta. Depois, no colégio, eu e meu primo tínhamos uma brincadeira que eu adorava. Era a redação coletiva. Um escrevia um parágrafo e o outro continuava. Eu adorava essa escrita a muitas mãos.

Pode adiantar um pouquinho do que vem por aí na coleção “Quatro Mãos”?

O próximo livro vai ser entre Brasil e África e escreverei com o meu querido amigo Ondjaki. Vai ser uma delícia escrever, com certeza. Acho a escrita do Ondjaki belíssima, muito poética. E o bom é que nós dois escreveremos em português. O livro com a Liu Hong foi todo em inglês e deu um trabaaaaalho…

“Nas Folhas do Chá”
Autoras: Flávia Lins e Silva e Liu Hong
Ilustração: Rafael Nobre
Editora: Zahar
Preço: R$ 22,50

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