Margarida Teles, no Mulher 7×7

Você já ouviu falar de “Fifty Shades of Grey”, o primeiro livro da trilogia escrita por E.L. James? Graças ao seu teor “caliente”, ele ganhou o apelido de “Crepúsculo para adultos”. A história do envolvimento de uma estudante com um empresário adepto do sadomasoquismo conquistou mulheres de todas as idades e fez a obra liderar a lista de livros digitais mais vendidos. Mas a maior polêmica sobre “Fifty Shades of Grey” foi a sua expulsão do catálogo de algumas bibliotecas.

Em Brevard County , na Flórida, as bibliotecas públicas decidiram retirar os exemplares do livro de circulação. Os responsáveis afirmaram que não aceitavam pornografia em suas prateleiras. Quando questionados sobre terem obras como o “Kama Sutra” e “Trópico de Câncer”, justificaram que estes são “clássicos”.

A proibição gerou protestos, tanto dos fãs do livro como dos defensores da liberdade de expressão. Uma petição pública pedia a volta do livro, alegando que banir obras é inconstitucional, independente de seu conteúdo. “Não há espaço nas prateleiras das bibliotecas para a censura”, disse a Fundação Americana pela defesa das liberdades civis. Ontem, as manifestações surtiram efeito. As autoridades de Brevard County voltaram atrás, e decidiram colocar novamente “Fifty Shades of Grey” em seu catálogo.

Ainda não li o best seller, embora tenha bastante curiosidade. Dizem que o livro é ruim, em termos de escrita. Linguagem pobre, chavões, o pacote completo. Mas quando ele for editado no Brasil, espero que vá para as nossas bibliotecas. Me lembro do dia em que aluguei o “Trópico de Câncer”, de Henry Miller, na biblioteca da minha antiga faculdade – uma instituição católica. Não gostei do livro, mas adorei ter constatado isso por conta própria, ao explorar as suas páginas.

Na minha opinião, censura é algo extremamente perigoso. Remete à ditadura, massificação, falta de autonomia civil e prepotência por parte do censurador. O livro é uma porcaria? Então deixe as pessoas decidirem. Como leitores, temos o direito de escolher se queremos ou não ler coisas ruins. Li a saga Crepúsculo inteirinha, achei péssimo em termos de literatura e mesmo assim adorei. Não vejo a hora de fazer o mesmo com “Fifty Shades of Grey”.

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