Publicado por Folha.com

Daniel Mark Epstein tinha 15 anos quando assistiu ao seu primeiro show de Bob Dylan, em 14 de dezembro de 1963, no teatro da Universidade George Washington.

Epstein se lembra de cada detalhe daquela noite. Ele recorda o momento em que “o jovem de aparência frágil e cabelos castanhos desgrenhados entrou no auditório pelo lado esquerdo do palco, arranhando seu violão”, a maneira como interpretou as letras, os acordes com os quais Dylan iniciou cada canção, o modo como se revezava entre a gaita e o violão, e as reações da plateia.

“Tomei notas imediatamente após o concerto”, contou Epstein à Folha. “Meu amigo e eu tocamos cada uma das músicas que ouvimos, nota por nota. Esta era a maneira como os músicos de folk aprendiam naquele tempo.”

Bob Dylan e The Band em show de 1974, no Madison Square Garden, em Nova York (Tom Zimberoff/Divulgação)

A paixão do norte-americano Epstein, 64, pelo folk não o tornou famoso como Dylan. Mas seu conhecimento sobre o estilo, aliado à habilidade para descrever com lirismo cenas como esta, o ajudou a compor “A Balada de Bob Dylan – Um Retrato Musical”.

O livro traça um perfil do cantor a partir de quatro shows marcantes. “Escolhi concertos que pontuam os diversos dramas vividos por Dylan”, afirma o autor.

“Eles foram o ponto de partida para que eu explorasse as décadas que precederam a música que estava ouvindo”, diz. “Dividi o livro em quatro partes como uma balada, que é composta em estrofes de quatro versos.”

Dramaturgo, poeta premiado e autor de biografias de Abraham Lincoln e Nat King Cole, entre outros, Epstein levou 25 anos pensando no trabalho. O lançamento ocorreu em 2011, alguns dias após Bob Dylan completar 70 anos e desancar, em seu site, os muitos autores que se atreveram a devassar sua vida em biografias não autorizadas.

“Sei que ele aprovou o meu livro porque permitiu que eu citasse trechos inteiros de suas letras”, afirma Epstein.

Para o autor, apesar da profusão de textos sobre Dylan, o seu era necessário. “Esta é uma obra que só poderia ter sido escrita por alguém que viu e conheceu as pessoas que eu conheci, nos últimos 50 anos”, diz ele.

“Sou contemporâneo de Dylan e tive acesso às pessoas com as quais ele trabalhou, como [o poeta] Allen Ginsberg. Além disso, meu conhecimento sobre poesia e folk me permitiu entender muitas coisas sobre Dylan que nenhum outro biógrafo pode ou irá entender.”

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