(http://gabigabiruska.com/)

Henry Alfred Bugalho, no Blog do Escritor

Não foi hoje que as empresas descobriram o poder dos blogs para humanizar suas atividades.

Quando você põe alguém, uma pessoa normal assim como nós, para dar a cara a tapa e falar com os leitores/consumidores sem toda aquela pompa corporativa, há uma identificação instantânea e pensamos: “veja, ali existe gente de verdade!”

Qualquer escritor em início de carreira encarará, em algum momento, os editores como inimigos. Na mente deste autor iniciante, há alguém, geralmente um sujeito carrancudo com caneta vermelha na mão sentado numa saleta sombria, recusando os manuscritos. Este é o vilão, o Cérbero entre o seu sonho de ser publicado e o pesadelo de ser recusado!

Há quase uma década que os editores e agentes literários americanos utilizam blogs para estreitar o relacionamento entre editoras/agentes e autores, ou entre editoras e leitores. Mas lá existe um mercado de livro real e escritor profissional não é mera figura de retórica. Um país onde se publicam quase 350 mil novos livros todos os anos, a maioria de autores nacionais, que movimenta quase 12 bilhões de dólares, não está para brincadeira. Existem grandes editoras, existem grandes autores e existe um gigantesco público leitor.

Como todo fenômeno cultural, às vezes tarda um pouco para chegar abaixo do Equador. Existem alguns editores-blogueiros, como o Luiz Schwarcz (http://www.blogdacompanhia.com.br/), da Cia das Letras, que relata algumas histórias de sua longa carreira como editor e também antecipa alguns lançamentos próximos da editora. Com uma escrita às vezes barroca, é um ótimo reduto para quem curte memorabilia do mercado editorial, mas de pouca serventia prática para um autor iniciante tentando vislumbrar o que pensa um editor.

Até o momento, nenhuma boa alma editorial parecia estar disposta a ensinar um pobre aspirante a escritor o que fazer, por onde começar ou o que esperar.

É aí que surge o Tal do meu blog (http://gabigabiruska.com/), de autoria de Gabi Gabiruska, atualmente gerente editorial da Editora Gutenberg.

Caí neste blog por acaso, indicado no Facebook por um colega escritor. Li alguns artigos interessantes, mas, nos dias seguintes, outros amigos escritores continuaram indicando-o.

Foi neste instante que constatei que talvez estivéssemos diante de algo novo no Brasil, de uma editora disposta a abrir o peito e doutrinar os novos autores a como realizarem o sonho da publicação.

Publicar não é fácil. Só quem já tentou é que sabe.
Se você é um autor independente, tem uma porção de leões para matar todos os dias. Precisa escrever, editar, promover e vender seus próprios livros.
Se você gostaria de ser publicado comercialmente, bem, daí o buraco é bem mais embaixo! Antes de tudo, você tem de convencer uma porção de gente que seu livro é bom, que venderá, que você conseguirá escrever outros livros bons no futuro, até fechar o contrato.

A Gabi oferece uma porção de recomendações sensatas sobre “como apresentar seu livro e despertar o interesse das editoras”. Ali está a visão de uma editora de qual seria a abordagem ideal de um autor sério. A primeira impressão que temos é que, uma vez respeitada aquela cartilha, nossos manuscritos imediatamente se destacarão na multidão e as chances de publicação aumentarão consideravelmente.

No entanto, esta é a visão do lado de lá, com uma certa complacência com o mercado editorial. Num mundo perfeito, bons livros encontrariam bons editores, e todos seriam felizes.
Mas em nossa realidade imperfeita, não basta escrever um bom livro; é precisar estar no lugar certo, na hora certa e falando com a pessoa certa.

Se os astros não ajudarem e Júpiter não estiver na décima casa, você pode ter o melhor livro em mãos, com a carta de apresentação mais bem preparada da História, que seu livro baterá nas portas de todas as editoras e acabará sendo incinerado.

Estar no papel de editor não deve ser fácil. Imagino que eles saibam que, nas mãos deles, naquelas páginas e mais páginas, estão depositados os sonhos mais caros daqueles candidatos a escritores. A recusa pode representar o esfacelamento de ilusões que todos alimentamos.

Não duvido das estatísticas que afirmam que a cada mil exemplares apenas um ou dois são considerados seriamente para publicação. Recusar novecentos noventa e nove livros para encontrar um, este é o trabalho do editor.
É para esta pessoa que sujeitamos nossas crias literárias, nossos natimortos e nossos fracassos. Todavia, às vezes, nem a melhor cartilha pode nos salvar.

No brutal e competitivo mercado literário, nem sempre são os bons e heróicos que vencem. Neste cassino, a maioria de nós perde, mas a casa sempre ganha.

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