Elisangela Roxo, na Folha de S. Paulo

 
A Dança dos Dragões” é o primeiro livro da saga fantástica de George R.R Martin traduzido diretamente do inglês para o português do Brasil.

Os outros quatro volumes de “As Crônicas de Gelo e Fogo” foram lançados a partir do texto produzido por Jorge Candeias para Portugal.

A Leya comprou os direitos da tradução da editora portuguesa Saída de Emergência, que tinha encomendado o texto a Candeias.

Por conta da adaptação da linguagem para o Brasil, o tradutor português diz não reconhecer a adaptação como sua. “Não renego por completo, mas não foi aquilo que escrevi“, disse ele em entrevista por telefone à Folha.

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O tradutor diz foi pago pela empresa brasileira, mas jamais foi consultado durante o processo e nunca recebeu exemplares do livros lançados por aqui.

“Se tivesse havido comunicação, o resultado do trabalho certamente seria melhor.”

Uma mudança que particularmente irritou Candeias é um trecho do primeiro volume em que a adaptação trocou “ervas amarelas como limão” para “amarelas como limão-siciliano”.

A ilha italiana da Sicília, que dá origem ao adjetivo, não existe no mundo criado por Martin –a opção, ele avalia, esvaziou o sentido.

O editor Luís Corte Real, da Saída de Emergência, defende a Leya e diz ser normal tradutores não serem consultados nesse tipo de processo.

Pascoal Soto, diretor-geral da Leya, prefere não comentar as polêmicas. “Optamos pela tradução do Candeias no início porque o texto dele é muito bom.”

Soto explica que a decisão de trocar de tradutor foi tomada para que o processo “fosse acompanhado mais de perto” pela editora.

Quem assina “A Dança dos Dragões” é a jornalista Márcia Blasques, que preferiu não dar entrevista.

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