Gabriel García Márquez posa em sua casa no México

Gabriel García Márquez posa em sua casa no México

Publicado originalmente na UOL

De acordo com o jornal espanhol “El País”, o escritor colombiano Gabriel García Marquez, contemplado em 2008 com o Prêmio Nobel de Literatura, não vai mais escrever. A informação foi divulgada pelo irmão mais novo de Marquez, Jaime García Marquez, nesta sexta-feira (6), devido ao estágio avançado de demência senil do autor de 85 anos.

Na nota “Não haverá mais letras escritas por Gabo”, a colunista do jornal Elsa García de Blas conversou com o irmão do autor, Jaime, sobre o atual estado de saúde do escritor de “Cem Anos de Solidão”. “Às vezes choro. Mas sinto uma felicidade dolorosa de ainda ter o privilégio de falar com ele”, diz o irmão. Apesar da doença, Jaime diz que Marquez continua alegre. “Ainda assim ele segue com sua alegria, entusiasmo e cheio de humor.”

Marquez, que passa por um estágio avançado da doença mental e perdeu parte da memória, não tem mais condições de escrever, afirmou Jaime. “Infelizmente, não vamos ter a oportunidade de ler uma nova história. Às vezes a sensação é que existem pessoas que querem que ele morra, porque a notícia de sua morte seria muito importante, espero que isso não aconteça por muito tempo”, declarou.

Em junho deste ano, Plínio Apuleyo Mendoza, jornalista espanhol e escritor de “Cheiro da goiaba”, que reúne recordações de García Márquez antes dele receber o Nobel, disse à revista digital Kienyke que o autor de “Cem anos de solidão” já não reconhece mais as pessoas pela voz.

Mendoza contou que telefonou para o amigo no último dia 6 de março, em seu aniversário de 85 anos, mas que ele não pode falar. “No dia que completou 85 anos, liguei para García Márquez mas não falei com ele. Conversei com Mercedes [Barcha, sua esposa] e ela prefere não passar o telefone para ele porque não reconhece”, afirmou o jornalista.

Segundo ele, da última vez em que conversaram, já há alguns anos, o escritor “esquecia certas coisas e me perguntava: ‘quando chegou’, ‘onde está hospedado’, e repetia”. Em compensação, disse, “fomos almoçar e recordar coisas muito antigas de 30 ou 40 anos atrás, remotas, e a memória funcionava perfeitamente”.

Mendoza acrescentou que o filho mais velho de García Márquez, o cineasta Rodrigo, que é seu afilhado, revelou que seu pai tem que ver as pessoas “porque senão, pela voz, não sabe com quem está falando”. O jornalista também recordou que tanto a mãe do escritor como um de seus irmãos, que já morreram, sofreram de Alzheimer.

A ideia que o prêmio Nobel tem perdido paulatinamente a memória está no ar desde que seu biógrafo, o britânico Gerard Martin publicou, em 2009, um livro com sua história.

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