Mariana Azaredo, no Terra

Os cartunistas Laerte e Angeli encerraram a mesa de debates na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na noite deste sábado (7). Mediados por Claudiney Ferreira, eles debateram sobre vários temas, como os limites do humor no Brasil, como lidam com a opinião dos leitores, o que passado na época da ditadura e o futuro na arte de desenhar. Sempre bem humorado, Angeli soltou: “ultimamente ando perdendo a memória porque fumei muito orégano na vida. Algo aconteceu que ando tendo uns brancos. É coisa da idade, gosto de fazer piadas com isso”.

Laerte, cross-dresser assumido, chamou a atenção por usar um vestido longo florido, que ao ser questionado onde havia adquirido, ele não hesitou em responder: “comprei na Collins”. Sobre o humor, o cartunista comentou da invasão do stand-up nos teatros brasileiros. “O problema é que o stand-up faz com que não haja distinção entre o comediante e a pessoa real. E muitas vezes, a pessoa real entra na saia juta por causa de uma piada”, comentou.

Já Angeli, ao ser questionado se era um humorista, ele admitiu que sim: “mas o humor não é simplesmente piada. Existe humor negro, sarcástico e vários outros tipos. Acho que faço de tudo um pouco, mas me aproximo mais do humor negro”, confessou. Sobre como lidar com a opinião dos leitores, o cartunista respondeu: “minha proposta não é agradar o leitor. Mas já recebi algumas cartas que me fizeram repensar o meu trabalho. Não posso deixar que o leitor guie meu trabalho porque às vezes eles não entendem o que faço”.

Laerte deixou alguns fãs tristes ao dizer que está com problemas em desenhar. “Não gosto mais de desenhar. Tenho problemas com isso, queria que o desenho se fizesse sozinho. Perdi o tesão”, afirmou. Ao Angeli, perguntaram se a sua personagem Rê Bordosa era a personificação da mulher ideal. O cartunista respondeu que não e complementou: “todos os personagens que eu criei são pessoas que eu não queria ter amizade”.

Laerte não fugiu das perguntas sobre seu jeito de se vestir. Ele disse que a vontade de se parecer com uma mulher vem de muito tempo. “Descobri que tenho uma identidade feminina, e isso me levou ao novo tipo de militância. Eu, que já fui comunista no passado, hoje estou envolvido na luta pelos diretos de outras pessoas”, justificou. Angeli também deu sua opinião sobre o assunto: “sou simpatizante, entendo e poderia ajudar a causa. Mas gosto muito de ser homem”.

Ao encerrar os debates da noite, os cartunistas foram aplaudidos de pé.

foto: Pra Ler

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