Ian McEwan
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Publicado originalmente no Primeira Edição

O escritor inglês Ian McEwan, um dos principais nomes da décima edição da Flip, disse ontem, durante entrevista em Paraty, que os jovens escritores brasileiros selecionados pela revista literária “Granta” não deveriam deixar a fama subir a cabeça.

Em 1983, McEwan foi ele próprio selecionado para uma edição da “Granta” com os melhores jovens romancistas britânicos.

“Não deixe que isso suba à cabeça”, disse, em resposta a que conselho daria aos jovens colegas.

“É importante o que você continuará a fazer na manhã de quarta-feira. Elimine o barulho de prêmios, entrevistas, listas. O mundo moderno adora listas.”

“Tenho um conselho de duas palavras: compareça, esteja lá todo dia, não importa se estiver mal, você tem que estar na sua mesa de trabalho todo dia às dez da manhã”, declarou.

McEwan –que neste sábado (7) participa de um debate na Flip com a americana Jennifer Egan– esteve, na última quinta-feira, no coquetel de lançamento da edição brasileira da “Granta” em Paraty.

“Senti-me fora de lugar e com inveja. Adoraria estar nos meus vinte e tantos, trinta e poucos anos. Lembro que, em 83, eu tinha publicado quatro ou cinco livros, não era um novato completo. E foi muito interessante, porque muitos dos 20 escolhidos já eram meus amigos.”

Além dele, nomes como Salman Rushdie e Martin Amis ampliaram sua projeção ao publicar na “Granta”, uma das mais influentes revistas literárias do mundo, que no Brasil é editada pela Alfaguara.

Indagado sobre a importância de cursos de escrita criativa, ele declarou que “é muito difícil ensinar literatura”.

“Você pode ensinar técnicas, mas é importante dar às pessoas a moldura, o contexto. A maioria dos bons escritores que fizeram esses cursos normalmente já chegaram bons escritores.”

O autor inglês está lançando o romance “Serena” (Companhia das Letras) mundialmente no Brasil –só depois sairá nos países de língua inglesa.

McEwan explicou que se tratou de uma “grande sorte e maravilhosa oportunidade”. Como havia a Flip em julho, o seu editor brasileiro pediu que ele corresse e ele diz ter ficado feliz.

O romancista contou que está próximo do Brasil desde que seu filho o acompanhou à Flip em 2004, se encantou com o país e, ao voltar para a Inglaterra, arranjou uma namorada brasileira e aprendeu português.

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