Sucesso de vendas dos romances de “Assassin’s Creed” atraiu a atenção das editoras

Pablo Raphael, no UOL

Os videogames estão cada vez mais inseridos na cultura popular, prova disso é a crescente participação da indústria dos jogos eletrônicos em eventos como a San Diego Comic-Con, que aconteceu no último fim de semana, nos EUA e até filmes como a animação “Detona Ralph”, que transborda referências ao universo ‘gamer’.

No Brasil, essa inserção cultural começa a se fazer sentir no mercado editorial, com livros baseados em títulos populares como  “Assassin’s Creed” marcando presença não só nas prateleiras das livrarias, mas também rendendo bons números de vendas.

Além dos livros, histórias em quadrinhos ambientadas nos mundos de “StarCraft”,  “World of Warcraft” e, novamente, “Assassin’s Creed” – só para citar alguns – competem com títulos de super-heróis nas bancas de revistas e lojas especializadas.

FUTURO INCERTO HQs de games são publicadas mensalmente nos EUA. No Brasil, porém, falta regularidade: a Panini trouxe o primeiro arco de “Gears of War” em um encadernado, mas não fala sobre as edições seguintes. Os fãs de “Halo” então, já perderam as esperanças – a saga de Master Chief rendeu uma bela graphic novel em 2008, também pela Panini, mas novos álbuns, como “Uprising”, seguem fora dos planos da editora.

“Há uma boa receptividade quanto ao material de quadrinhos baseado em games, por isso decidimos entrar nesse nicho, que é bem promissor”, explica Bernardo Santana, editor-assistente da Panini, maior editora de HQs no Brasil – e que já conta com um belo catálogo de títulos do gênero: “Batman: Arkham City”,“Halo”“Gears of War“, “StarCraft” e “World of Warcraft”, entre outras.

A Editora Saraiva, que publicou “Uncharted: O Quarto Labirinto”, também está confiante quanto ao mercado nacional: “O livro está indo muito bem. No primeiro mês vendemos 5 mil exemplares e continua saindo. Acho que os fãs estão encontrando os mesmos elementos do jogo nos personagens e na história, e é essa emoção que eles buscam, seja qual for o formato. Como o livro não repete nenhum jogo, é como entrar numa nova aventura da série”, comenta o diretor Thales Guaracy Ferreira.

Repetir a aventura do jogo não parece ser um problema, dada a receptividade dos livros “Assassin’s Creed: Renascença” e “Irmandade” por aqui. O primeiro volume, lançado em 2011, já vendeu mais de 80 mil cópias, um número significante para uma obra de ficção publicada no Brasil.

O sucesso da saga de Ezio Auditore convenceu a editora Galera Record a investir mais no nicho de “livros de games”. O próximo lançamento da editora será “Battlefield 3: The Russian”, publicado nos EUA em novembro de 2011. Fica também a expectativa por “Assassin’s Creed: Revelação”, já publicado no exterior.

VEJA ALGUMAS OPÇÔES DE LIVROS E HQS DE GAMES

Assassin’s Creed: Renascença Ed. Galera Record
Assassin’s Creed: Irmandade Ed. Galera Record
Uncharted: O Quarto Labirinto Ed. Saraiva
StarCraft (HQ) Ed. Panini
Assassin’s Creed: A Queda (HQ) Ed. Panini
Batman: Arkham City (HQ) Ed. Panini
God of War (HQ) Ed. Panini
Epic Mickey (HQ) Ed. Abril
World of Warcraft: Uma Nova Aliança (HQ) Ed. Panini

Preço acessível

Sem dúvida, o preço competitivo ajuda as vendas: os livros de “Assassin’s Creed” podem ser adquiridos por R$ 30 nas lojas especializadas. O mesmo vale para “Uncharted”: “O Quarto Labirinto” custa apenas R$ 28 – um valor mínimo, para um público acostumado a pagar até R$ 199 por um game. Não é um cenário muito diferente do norte-americano, em que os games ocupam uma boa parte das prateleiras de ‘pocket books’, edições em tamanho reduzido, capa mole e papel mais barato.

Veja as imagens aqui

Consumidores exigentes

Cientes do grau de exigência do público “nerd” e dos fãs de games, as editoras procuram tomar cuidados na hora de traduzir livros e quadrinhos – evitando assim as críticas negativas que já atingiram obras como “Jogador Nº 1”, da editora Leya. Com termos como “Mestre Dungeon” e outras confusões com expressões típicas dos games, o livro precisou passar por uma revisão técnica, feita pela jornalista Flávia Gasi.

CONFUSÃO NA TRADUÇÃO Nos games, “World of Warcraft” é um exemplo de tradução completa para o português, as HQs do popular MMO mantém nomes de personagens e de regiões do jogo em inglês, o que causa uma certa confusão para os recém-chegados. “Quando ‘WoW’ foi oficialmente lançado em nosso idioma, já tinhamos 3 encadernados lançados e tomamos a decisão editorial de não mudar isso somente no quarto volume”, explica Bernardo Santana, da Panini.

“Sempre procuramos tradutores que joguem ou já tenham jogado os games em algum momento”, explica Bernardo. “E sempre que precisamos de alguma ajuda, os estúdios foram solícitos”.

Antes de lançar um livro ou HQ no Brasil, as editoras costumam pesquisar sua popularidade entre os jogadores – o que faz sucesso nos EUA nem sempre tem o mesmo apelo entre o público brasileiro. “Não fazemos qualquer coisa – escolhemos algo que tenha realmente qualidade e que esteja à altura do que os fãs esperam. Não pode ser algo que vá desapontá-los”, diz Thales Guaracy, da Saraiva.

Distribuidoras como Blizzard, Ubisoft e Sony trabalham próximas das editoras, seja na supervisão e aprovação do conteúdo – afinal são algumas de suas principais marcas que estão nas páginas dos livros e revistas – quanto na promoção das publicações.

A HQ “Assassin’s Creed: A Queda” por exemplo, traz em suas páginas conteúdo exclusivo para o jogo, com códigos que permitem o download de trajes extras para “Assassin’s Creed: Revelations”, jogo mais recente da série.

Com exceção da editora Galera, que publicará o romance de “Battlefield 3” em novembro, as demais editoras fazem mistério sobre seus futuros lançamentos: a Panini, responsável por HQs de “World of Warcraft” e “StarCraft” no país, não confirma, mas um próximo passo lógico seria trazer para cá os quadrinhos de  “Diablo III”, publicados nos EUA pela DC Comics. Por enquanto, a editora se limita a dizer ter “muitos projetos em andamento” e prometer “grandes novidades para esse mercado”.

dica do Jarbas Aragão

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