Estudo mostra que a maneira como as linhas de Shakespeare são estruturadas favorece a capacidade de compreensão e pensamento. Entenda o que é a “mudança funcional” presente nos textos do autor.

Publicado no Universia Brasil

Crédito: Wikipédia

A interferência de Shakespeare na capacidade de pensar acontece porque o famoso escritor inglês criou efeitos dramáticos, se aproveitando da relativa independência da semântica e da sintaxe na compreensão da sentença / Crédito: Wikipédia

Já se sentiu mais inteligente após ler um livro considerado “alta literatura”? De acordo com o professor Philip Davis, que ensina Inglês na Universidade de Liverpool, isso acontece com frequência, especialmente após a leitura das obras de William Shakespeare. Isso se deve à maneira como as linhas são estruturadas, a chamada “mudança funcional”.

Esse efeito na capacidade de pensar acontece porque o famoso escritor inglês criou efeitos dramáticos se aproveitando explicitamente da relativa independência em nível neural da semântica e da sintaxe na compreensão da sentença.

Para entender se o fenômeno era cientificamente verificável, o professor Davis fez um estudo com diversas pessoas, pedindo a elas que lessem algumas linhas de Shakespeare enquanto estavam ligadas a equipamentos de encefalografia. Entretanto, em torno de cada uma dessas frases de mudança funcional também foram fornecidos três contra-exemplos, mostrados na tela em ordem aleatória. Os voluntários tinham que apontar se as frases faziam mais ou menos sentido.

Os resultados dos testes concluíram que os participantes compreenderam de forma mais ampla as linhas mais complexas, uma vez que tinham lido uma linha com o deslocamento funcional de Shakespeare.

Isso significa que, enquanto a mudança funcional de Shakespeare foi semanticamente integrada com facilidade, um processo de reavaliação sintática foi desencadeado, provavelmente para aumentar a atenção e dar mais peso à sentença como um todo.

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