Publicado originalmente no Roda Vida

O Roda Viva do dia 23 de julho recebeu o escritor João Ubaldo Ribeiro. O tema central do programa foi a trajetória do escritor, um dos nomes mais representativos da literatura brasileira.

O autor de clássicos como Sargento Getúlio e Viva o Povo Brasileiro é membro da Academia Brasileira de Letras, entidade que ao longo dos anos vem sofrendo críticas por suas eleições. O escritor afirma que é um clube, mas que precisa ser visto com um pouco mais de compreensão, “de uma forma mais abrangente”.

Vencedor do Prêmio Camões de 2008, considerado o maior concurso para escritores de língua portuguesa, diz que escrever é algo muito pessoal e por isso evita opiniões de outras pessoas: “Eu não gosto de pedir auxílio, porque eu considero aquele sujeito um sócio”.

Durante a entrevista, Ubaldo falou sobre o hábito de leitura, algo fundamental na vida de um escritor. Nos últimos quatro anos ele elegeu William Shakespeare. Quando perguntado se gostava das obras de Paulo Coelho, a resposta foi: “li uma vez e não gostei. Mas isso também não quer dizer nada”. Minutos depois, o escritor Paulo Coelho agradeceu, via Twitter, a elegância do colega e declarou ainda: “disse que é apenas uma questão de gosto”.

No programa, João Ubaldo relembrou a parceria que tinha com o cineasta Glauber Rocha. Os dois começaram juntos em um jornal. “Nós inventávamos notícias. Nós éramos garotos com um jornal na mão. Ele reclamava que a Bahia era uma terra atrasada e que não tinha nenhum assassinato”. Seu companheiro escrevia para o caderno policial.

Quando Glauber morreu, para o escritor ficou um vazio na vida pessoal e também na de escritor. “Eu perdi uma parte da minha vida. Eu escrevia para ele. A referência era o Glauber. Se ele não gostasse, eu me desanimava um pouco. Se ele gostasse, a opinião dos outros não importava”.

Na bancada do Roda Viva estiveram Manuel da Costa Pinto, crítico de literatura e colunista da Folha de S. Paulo e do programa Metrópolis, Marcelo Rezende, crítico de arte e literatura da Revista Cult; Humberto Werneck, jornalista, escritor e cronista de O Estado de S. Paulo; Josélia Aguiar, editora do blog Livros Etc, da Folha de S. Paulo; e Oscar Pilagallo, jornalista e escritor. O Roda Viva também contou com a participação do cartunista Paulo Caruso.

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