Thaís Naldoni, no Portal da Imprensa

Todos os dias, observo atentamente a pilha de jornais que, às vezes, se forma na mesinha que fica no meio da redação. É incômodo perceber que, mesmo com os veículos ali, à disposição, muita gente não se preocupa em ler. Não estou discutindo as questões editoriais e possíveis posicionamentos desta ou daquela publicação. Mas é primordial para um jornalista – ou pretenso jornalista – não só saber o que está acontecendo no mundo, mas ler, ler, ler, ler muito. Só assim é possível perceber com clareza quando seu texto não está “lá essas coisas” ou conseguir pegar aqueles errinhos que passam pela digitação rápida, pela distração.

Sempre ouço grandes jornalistas, em entrevistas, palestras e apresentações, sobretudo para estudantes, afirmarem ser uma contradição um “jornalista que não gosta de ler”. E eu concordo, é claro. Não só pelo cara não gostar de ler, mas, para mim, contradição é um jornalista se prestar a escrever errado, tropeçar no português, não perceber que um texto raso não informa ninguém. E, o mais preocupante nessa história toda, é que quando em uma plateia lotada de estudantes de comunicação pergunta-se sobre a frequência de leitura, o resultado chega a ser desesperador.

Talvez por isso, tantos textos com erros – até mesmo de informação – têm sido publicados, seja em veículos impressos, seja na dinâmica internet ou mesmo nos textos de TV. “Houveram conseqüências graves”, “menas coisas”, “perca total” foram algumas das expressões que ouvi recentemente em passagens de televisão.

Quanto mais uma pessoa lê, mais bagagem ela guarda de ortografia, gramática e vocabulário – sem contar o conhecimento – e, no caso de um estudante de Comunicação ou jornalista, menos lugares comuns vão aparecer em seus textos, repetições de palavras, falta de referências.

Além disso, um profissional de comunicação que não lê jornal, não acompanha a mídia, nunca vai saber o que, nem ter argumentos para criticar alguma coisa. Não vai poder nem mesmo ser a referência da família em informação, afinal, quem dos colegas nunca ouviu uma pergunta de algum parente nos termos: “você que é jornalista, que raios é o mensalão?”

Como diria a “Tia Alcione”, minha professora na primeira série, “tem que ler muito para escrever bem”. É, ela tem razão.

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