St. John Greene e seus filhos, Reef e Finn

St. John Greene e seus filhos, Reef e Finn, em Bristol (Reino Unido)/ Foto Divulgação

IARA BIDERMAN, na Folha de S. Paulo

Um pouco antes de morrer, aos 37 anos, a inglesa Kate Greene preparou uma lista para o marido pedindo que realizasse seus últimos desejos. São cem tópicos sobre a criação dos filhos do casal.

O marido, Singe St. John, professor de esportes de aventura, começou a seguir as lições deixada pela mulher, logo depois de sua morte, causada por um câncer de mama. Isso o ajudou não apenas a enfrentar o luto: é a sua tábua de mandamentos para criar sozinho os filhos Reef, 8, e Finn, 6.

A lista teve também um desdobramento inesperado: transformada em livro, virou best-seller no mercado britânico e norte-americano.

Em “A Lista de Kate” (ed. Outono, 360 págs, R$ 39,90), Singe fala de algumas coisas que sua mulher queria que ele fizesse com os filhos: levá-los para mergulhar no Mar Vermelho, ensiná-los a dizer o que sentem e a respeitar as mulheres (começando por suas futuras namoradas), preparar festas de aniversário inesquecíveis e dar dois beijos de boa noite.

O livro conta também a história da família: o primeiro encontro de Siege e Kate, quando ela era ainda adolescente, o nascimento do primeiro filho, que recebeu o diagnóstico de um câncer raro quando tinha 18 meses, o parto prematuro do segundo bebê, as viagens de aventura do casal e a doença e a morte de Kate.

Siege afirma estar surpreso com o sucesso do livro, mas diz que ele e os dois filhos estão encarando numa boa a nova vida de celebridades — os três deram entrevistas para os principais jornais e canais de TV do Reino Unido e uma produtora britânica comprou os direitos para fazer um filme baseado na história da família Greene.

*
Folha – Na sua opinião, por que “A Lista de Kate” fez tanto sucesso?

Siege St. John Greene – As pessoas gostam de ler nossa história porque percebem que o mundo às vezes pode ser um lugar muito bom quando você está com as pessoas que ama. E também acho que todos gostam de saber como uma outra pessoa passou por dificuldades e o que fez para superá-las.

Pode também ajudar outros pais a criarem seus filhos?

Espero que sim. Hoje muitos pais deixam as crianças vivendo numa bolha, querem que tenham muita segurança, mas não deixam que as crianças tenham experiências, boas ou más, que dão graça à vida. O que tento fazer com meus filhos, e conto no livro, é ensiná-los a experimentar sempre, fazer todo dia algo que seja surpreendente e de que se lembrarão pelo resto da vida.

Qual foi o tópico da lista de Kate mais fácil de cumprir?

Dar dois beijos de boa noite em cada um dos garotos. É a mais fácil e a mais gostosa de cumprir.

E a mais difícil?

Kate disse para eu encontrar um novo amor, pensando não só em mim, mas também nos meninos, que precisam ter uma figura de referência feminina. Sempre disse que seria o mais difícil, mas estou tentando. Depois disso, pensando em conjunto, é ter que ser o cara legal (que leva para viajar, inventa aventuras) e o malvado (que faz eles cumprirem deveres etc.) sozinho.

Quais os seus conselhos para os pais hoje?

Que deixem as crianças terem o máximo de experiências que puderem e que aproveitem ao máximo o tempo que têm com seus filhos. Que aproveitem também as pequenas coisas –um sorvete de chocolate, um dia de sol no quintal de casa — elas são a cereja do bolo. E que se conscientizem de que não podem e não precisam fazer tudo pelos seus filhos, mas que podem e devem pedir ajuda: a família e os amigos querem ajudar e ficam felizes em poder fazer isso

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments