The Copia usa ferramentas de compartilhamento e interação social e quer mudar a forma como as pessoas adquirem livros e comentam sobre o que leram

Cauê Fabiano, na UOL

“Ler era um processo passivo e solitário. A geração de hoje enxerga como algo social, interativo As pessoas querem comentar, falar sobre isso, até mesmo antes de ler”, explicou o CEO do DMC Group, Andrew Lowinger, que conversou com os visitantes da 22a Bienal do Livro de São Paulo sobre uma plataforma da empresa chamada The Copia, que promete “reimaginar o ato da leitura”.

Fundada pelo pai de Lowinger, o DMC Group possui um longo currículo que Andrew insistiu em definir como revolução tecnológica. Com o início das operações, há 61 anos, a companhia passou pelos transistores, pela fabricação de semicondutores, viu o começo do mercado de computadores e chegou a fabricar relógios e instrumentos de contagem.

“Novas tecnologias chegam como uma revolução, uma mudança no status quo”, definiu o executivo. E o caminho apresentado no evento é voltado para a educação, que precisa se adequar melhor às gerações atuais, segundo ele.

The Copia é uma plataforma aberta que cria uma comunidade virtual que oferece não só vendas de livros digitais, mas também apresenta ferramentas para que as pessoas possam interagir, discutir as obras, trocar conhecimentos, e criar grupos de discussão, entre outras coisas. “Uma experiência de leitura social”, definiu o executivo. “Navegar por milhares de livros a partir do seu dispositivo [seja desktop ou tablet] – essa não é a revolução, mas sim como essa geração consome conteúdo.”

“Não é simplesmente pegar o papel e colocá-lo num dispositivo digital. Se você não pode interagir, precisamos mudar isso, e transformar em uma experiência social”, declarou. Para explicar isso, Lowinger desmembrou o produto, idealizado há três anos, e que já foi adotado em mais de mil universidades americanas.

Dentro da plataforma, é possível criar grupos para que as pessoas interajam entre si, compartilhem recomendações com amigos ou desconhecidos e enviem mensagens. Há também uma biblioteca com as obras que podem ser adquiridas, e, de acordo com Andrew, esses títulos representam seus interesses e tornam-se pontos de uma conversa, “uma oportunidade de se engajar”. Um recurso muito interessante são as anotações, que funcionam como uma espécie de “marginália digital” – os comentários podem ser visualizados pelos amigos e discutidos. “Você não precisa mais ler sozinho”, enfatizou o CEO.
Parceria brasileira
Um dos anúncios mais importantes a respeito da plataforma é a parceria com o Submarino Digital Club, que utiliza o The Copia em seu site, assim como seus outros recursos. Os usuários podem fazer uma conta gratuita, adquirir seus livros, compartilhar informações com seus colegas, entre outros. O ponto mais importante é a livraria digital, com milhares de títulos à disposição “para para serem compartilhados, discutidos e lidos”, de acordo com a empresa.

A interface do site é totalmente em português, ponto importante destacado pelo executivo, lembrando que a empresa apenas cuida da parte de inteligência e tecnologia, mas que a experiência do usuário precisa ser em sua língua nativa – apesar de alguns problemas com acentuação, principalmente na seção de ajuda do site.
Usuários que estejam na Bienal e tenham cadastro no Submarino Digital Club podem ganhar alguns livros digitais gratuitos ao vistar o stand da empresa na feira. Há títulos como “O seminarista” de Rubem Fonseca, “Os homens que não amavam as mulheres” de Stieg Larsson, “1822” de Laurentino Gomes, entre outros. Há mais informações sobre a promoção no site do serviço.

Mudar formas de aprendizado e ensinoCitando o fato de que a plataforma é utilizada em mais de mil colégios norte-americanos, e que o The Copia é o parceiro recomendado pela Australian Publishing Association, Lowinger falou sobre a missão do Copia EDU, que tem como objetivo “mudar a maneira como as pessoas aprendem e ensinam”. Conforme explicado pelo executivo, a plataforma pode permitir que o relacionamento entre docentes e discentes seja levada para o digital, que os comentários, observações e informações possam ser compartilhadas de uma maneira totalmente digital, com professores e alunos se comunicando e interagindo ativamente. “Todo o processo de aprendizado muda”, apontou Andrew.

A transposição do analógico para o digital é assunto importante, ainda mais para uma empresa com um longo histórico como o DMC Group. Ao dissertar sobre o mercado editorial, e sublinhar sobre um receio da indústria de que esse segmento não consegue produzir margens, crescimento ou lucro, Andew foi enfático e declarou que “a revolução digital veio para ficar”, e que ela precisa ser levada muito a sério pelas companhias. Para exemplificar o alerta, citou a Kodak que, a seu ver, “não levou o digital a sério” – a multinacional, que fez história no ramo da fotografia, pediu concordata no início do ano, exatamente por não se adaptar ao mundo digital e atualmente briga para não falir.

 

 

dica da Judith Almeida

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