Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

José Celso Martinez Corrêa (foto) e Renato Borghi protagonizaram na tarde desta quarta-feira (15) um dos mais animados encontros da Bienal do Livro de São Paulo.

Em tom de bate-papo entre amigos, eles relembraram o legado do escritor Oswald de Andrade (1890-1954).

Em 1967, ambos trabalharam juntos na montagem de “O Rei da Vela”, escrita por Oswald nos anos 1930.

O espetáculo tornou-se um dos marcos do movimento Tropicalista. Zé Celso enfatizou o tom anárquico do texto original com uma encenação que misturava reflexões políticas, ópera e chanchada.

Borghi teve um dos pontos altos de sua carreira ao interpretar o protagonista da história, um industrial falido.

“Se eu não tivesse feito mais nada na vida, já poderia estar realizado com “O Rei da Vela”. Nunca nenhuma peça ficou na minha cabeça como essa ficou. Ali eu descobri a liberdade. Você só é um ator se descobrir sua liberdade cênica.”

Estimulado por Zé Celso, o ator declamou trechos de diálogos e uma das canções da peça.

“Viu, você poderia fazer o espetáculo hoje. O personagem está em você”, disse o diretor.

“O lado político do Oswald é muito poético. A gente precisa cantar para sentir”, prosseguiu ele, antes de levantar-se e também recitar diálogos de “O Rei da Vela”.

“O Oswald foi muito além de James Joyce. O Joyce não tinha humor”, concluiu.

Outro tema da conversa foram os amores de Oswald. O mediador da mesa, o professor de literatura da USP Jorge Schwartz, apresentou uma edição fac-similar, de 1987, de “O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo”, de Oswald.

Elaborado em forma de diário, o livro é resultado de encontros em uma garçonnière mantida pelo escritor e amigos em 1918, no centro de São Paulo. Os frequentadores, entre eles Guilherme de Almeida, Vicente Rao, Leo Vaz e Monteiro Lobato, registravam suas observações com bilhetes, receitas, poemas e desenhos.

A única mulher do grupo era Maria de Lourdes, mais conhecida como Daisy, jovem charmosa e inteligente que foi uma das grandes paixões de Oswald.

“Ele sempre foi apaixonado por mulheres musas, poetas. Daisy, Tarsila do Amaral, Pagu”, comentou Zé Celso. “Só os poetas sabem fazer amor, o resto só faz fuk-fuk.”

foto: R7

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