Deive “Azaghal” Pazos (esquerda), o escritor Eduardo Sphor (meio) e Alexandre “Jovem Nerd” Ottoni (direita) com obras da Nerdbooks

Pablo Raphael, no UOL

“Branca dos Mortos e os 7 Zumbis” reescreve contos de fada como horror para gente grande

Não se deve julgar um livro pela capa, mas quem aprecia uma boa leitura sabe o quanto é prazeroso pegar uma edição caprichada de uma boa obra. É essa sensação que a Nerdbooks quer transmitir aos seus consumidores.

O selo editorial independente é responsável por lançar obras como “A Batalha do Apocalipse”, “Protocolo Blue Hand” e agora, “Branca dos Mortos”. Parte do pequeno império Jovem Nerd – que abrange site, podcast, rede social e loja online – o selo surgiu da necessidade de oferecer produtos diferenciados na ‘nerdstore’.

“Não vendemos livros, mas experiências de leitura”, explica Deive Pazos, mais conhecido como Azaghal, um dos fundadores do negócio. “A ideia é que a pessoa mergulhe na história da melhor maneira possível”.

Desde o começo, a Nerdbooks foi um ‘case’ de sucesso. Azaghal conta que a oportunidade de vender livros veio quando o autor Eduardo Sphor, amigo dele e de Alexandre Ottoni, o Jovem Nerd, venceu um concurso literário e teve 70 cópias de A Batalha do Apocalipse” impressas. Essas cópias se esgotaram em 3 horas.

“Continuamos recebendo e-mails pedindo o livro, então imprimimos mais 500 cópias”, lembra Azaghal. “Dois anos depois, o Sphor não tinha fechado com nenhuma editora e tínhamos 8 mil pedidos do ‘Batalha do Apocalipse’. Decidimos publicar mais 4 mil. O estoque era em casa, não tínhamos onde guardar os livros, por isso pedimos 2 mil em um mês e 2 mil para o mês seguinte”.

A preocupação com o estoque não durou muito: os primeiros 2 mil saíram já na pré-venda. Nessa tiragem, a Nerdbooks começou a se profissionalizar. Nesse meio tempo, a Editora Record teve acesso ao livro e hoje Eduardo Sphor tem seus livros publicados por ela no Brasil e no exterior.

O livro seguinte, “Protocolo Bluehand: Alienígenas” é um manual para lidar com invasores do espaço. Lembra, de certa forma, o “Guia de Sobrevivência” de Max Brooks, mas voltado para os aliens e com muitas referências ao universo Jovem Nerd.

“O ‘Protocolo’ foi desenhado para parecer que já foi manipulado”, explica Azaghal. “Tem anotações à caneta e rabiscos nos cantos. Você sente que está recebendo um guia que passou por outra pessoa antes”. A obra teve uma tiragem de 8 mil cópias e já está no final, diz Deive.

Recém-lançado, “Branca dos Mortos e os 7 Zumbis” é a obra mais caprichada da Nerdbooks até o momento. Com impressão hot stamp na capa, o acabamento do livro foi pensado para impressionar o leitor. “Você tira da caixa e pensa que a capa está viva”.

A tiragem inicial de “Branca dos Mortos” é de 8 mil cópias que só podem ser adquiridas através da Nerdstore. Em um futuro próximo, existe a possibilidade da obra ir para livrarias, mas não em 2012.

Planos para o futuro

Com tantos casos de sucesso, o selo Nerdbooks já foi procurado por duas grandes editoras brasileiras. “Ficamos tentados a trabalhar com eles”, conta Azaghal. Aconselhados por amigos como o mago e best-seller Paulo Coelho, os jovens empreendedores optaram por continuar independentes.

“Não sabemos o real tamanho, a força do selo Nerdbooks. E queremos manter o controle total sobre nossos produtos. Os livros que lançamos são obras nas quais acreditamos, temos um esmero em entregar a melhor experiência para nossos leitores”.

Até o momento, porém, os livros publicados pela Nerdbooks foram escritos por amigos próximos de Deive e Alexandre. “Ainda não temos estrutura para receber originais de outros autores”, explica Azaghal. “Temos muita vontade de fazer isso acontecer, mas teríamos que trabalhar junto com outra editora para selecionar o material. Só quando tivermos uma forma de avaliar os textos e dar um retorno para os autores, vamos comunicar o público”.

Para muitos autores independentes, a distribuição digital é um mercado em crescimento. A Nerdbooks também está de olho no formato, mas ainda está estudando como transportar a experiência dos seus títulos para plataformas como iPad e Kindle.

“Com essas empresas vindo para o Brasil, será um estímulo conhecer melhoras plataformas de publicação e encontrar maneiras de trabalhar nossos títulos da melhor forma possível”, explica Deive, que como bom nerd, lê livros digitais. “Não tenho essas de ‘ai, meu deus, só consigo ler papel’”, brinca.

Depois de “Branca dos Mortos” a Nerdbooks já prepara seus próximos lançamentos: o “Protocolo BlueHand: Zumbis” sai em dezembro, trazendo dicas de sobrevivência para quando os mortos se levantarem. Antes disso, em setembro, será lançada a primeira graphic novel da Nerdbooks.

Em desenvolvimento há 2 anos, a HQ tem roteiro de Abu Fobiya – o alter ego de Fabio Yabu – e ilustrações de Harald ‘Android’ Stricker. “É uma obra de arte, 160 páginas em preto e branco, feita com técnicas inacreditáveis”, elogia Deive, empolgado. “O único spoiler que posso dar é que terá zumbis na história”.

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