Publicado originalmente no Portugal Digital

Brasília – Parafraseando o José Saramago: o homem mais sábio que conheci em toda a minha vida era um grande escritor. Ou: o grande escritor mais generoso, humano e identificado com o seu povo que conheci nasceu há cem anos e chama-se Jorge Amado. Acrescentando: nunca conheci grande escritor mais imune à glória, às homenagens e honrarias, embora não as recusasse, para não magoar os que as promoviam. E acrescentado ainda: nem nunca conheci grande escritor mais tolerante, amigo do seu amigo, incentivando e ajudando os seus camaradas de letras, inclusive, o que é muito raro, fazendo tudo o possível para que os seus editores estrangeiros os publicassem.

Sendo certo que ele era então o escritor de língua portuguesa mais traduzido e editado em todo o mundo, em cerca de 50 línguas e 60 países. Pode parecer que falo de questões laterais. Mas não, ao menos na perspetiva, que é a minha, de cada vez mais me interessarem as pessoas, a sua riqueza humana e de caráter, a sua integridade e bondade. E, sendo divertidas, tanto melhor.

Pois, além de tudo o resto, até a doença, aos 82 anos, o deixar em profunda depressão, Jorge sempre foi um homem com uma enorme, sensual, paixão pela vida, saboreando os seus prazeres, despretensioso e bem humorado, exato avesso daqueles chatos que só falam de coisas muito intelectuais e só pensam em si e na sua «obra»… Ele e Zélia (Gattai), sua mulher, amante e namorada eterna, fotógrafa e ‘contadora’ de vida em livros que como escritora a impuseram. Ele, Zélia e os seus amigos, em especial os baianos, com o Carybé e o Calazans Neto, para já não falar do seu e meu compadre João Ubaldo, a sobressaírem no domínio das incríveis histórias vividas.

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