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Publicado originalmente no Jornal A Cidade

Um grupo americano de auxílio a mulheres que sofrem violência doméstica planeja queimar cópias de “Cinquenta Tons de Cinza“, segundo o jornal britânico “The Guardian”.

De acordo com a publicação, as envolvidas acreditam que a obra de E.L. James erotiza a tortura sexual e funciona como “um manual de instrução para um indivíduo abusivo praticar tortura sexual com uma jovem vulnerável”.

Nos cartazes do protesto, o grupo ironiza o título do best-seller, trocando-o por “Cinquenta Tons de Abuso”.

Clare Phillipson, diretora da Wearside Women in Need, instituição que auxilia vítimas de violência doméstica, disse que estava esperando por “um ícone feminista atacar esse lixo misógino”. Como ninguém se manifestou, ela decidiu agir por conta própria.

O livro erótico “Cinquenta Tons de Cinza” (“Fifty Shades of Grey”), da autora E.L.James, se tornou o romance britânico mais vendido de todos os tempos com 5,3 milhões de cópias vendidas no Reino Unido e quase 20 milhões no mundo todo, informou no início do mês a editora Cornerstone Publishing.

O romance inicia uma trilogia de erotismo que já se transformou um verdadeiro fenômeno literário mundial e que algumas editoras classificam como “pornô para mamães”. A história gira em torno da relação entre o jovem e bem-sucedido empresário Christian Grey e Anastasia Steele, uma estudante de literatura.

“Será que as pessoas poderiam tentar reler o livro e pensar: ‘Qual é a desse cara?’”, questiona Phillipson sobre o comportamento de Christian Grey no livro. Ela teme que meninas de 13 e 14 anos, ao ouvir adultas elogiando a publicação, acreditem que as “coisas sexuais horríveis” que Christian faz com Anastasia são normais.

Segundo a diretora, a “mensagem subliminar” do livro reflete a clássica narrativa da violência doméstica, de que “você pode curar esse homem desanimado, que se você ama-lo o suficiente e aguentar os problemas dele, ele vai melhorar”. “Essa mensagem é tão perigosa”, alerta.

Segundo a editora Cornerstone Publishing, que faz parte da Random House, os outros dois livros da saga, “Cinquenta Tons Mais Escuros” e “Cinquenta Tons de Liberdade”, já venderam 3,6 milhões e 3,2 milhões de cópias, respectivamente.

Lançado no Brasil pela editora Intrínseca -que em setembro deverá lançar “Cinquenta Tons Mais Escuros”-, o livro já foi traduzido para vários idiomas, entre eles chinês, russo, sérvio e vietnamita.

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