Publicado originalmente no Opera Mundi

Os pais de um adolescente de 13 anos pedem na Justiça a demissão de um professor de ensino médio na cidade de Gig Harbor, no Estado de Washington (noroeste dos EUA). O argumento utilizado pela família é de que o docente teria provocado e consentido que o garoto sofresse bullying em plena sala de aula. Por sua vez, o professor envolvido no caso, John Rosi, se defende dizendo que tudo ocorreu como uma atividade recreativa, mas pediu desculpas pelo ocorrido.

O episódio ocorreu no dia 2 de fevereiro deste ano na Kopachuck Middle School e foi gravado por um telefone celular de um colega de sala. O vídeo, que foi editado pela emissora de TV local King 5 – algumas pessoas envolvidas tiveram seus rostos encobertos. Os pais do aluno receberam o vídeo do colega e autorizaram sua veiculação pela rede de televisão.

Nas imagens, o pré-adolescente é amordaçado com uma meia, imobilizado, amarrado e arrastado pela sala de aula pelos colegas. Ele também ficou preso em uma “armadilha de carteiras”. Rosi participava de algumas ações, uma delas diretamente com o garoto.

Reação dos pais

“Estou chocado! Minha mulher começou a chorar [ao ver as imagens]. Foi difícil de assistir”, disse Randall Kinney, pai do garoto. Em muitos trechos do vídeo, o bullying ocorria na frente do professor, que às vezes participava das ações.
“Eu não acho que ele tenha ideia do que ele fez”, disse Karla Kinney, a mãe. “Ele me dizia: ‘eu quero morrer! Eu quero me matar’”, afirmou. Depois do ocorrido, o garoto não voltou mais às aulas.

Além da demissão, os pais pediram uma investigação das razões de o professor não ter relatado o ocorrido apropriadamente, um peiddo que foi aceito pela justiça local.

Punição

De acordo com Chuck Cuzzetto, superintendente de educação do distrito local, Rosi agiu de maneira inapropriada na condução da sala de aula, e se disse “horrorizado”. No entanto, eles decidiram não demiti-lo por enquanto em razão de não ser reincidente nesse tipo de episódio em sua carreira.
No entanto, em 2005, ele já recebeu uma reprimenda do distrito por ter sido acusado de preparar seus alunos a fazerem uma prova estadual do ensino médio após ter lido as respostas do exame. Ele nega qualquer fraude.
“Foi um caso isolado em 18 anos de carreira. Foi horrível, e merece uma ação rápida e significativa. E foi o que fizemos”, disse o dirigente, ao afirmar que o professor foi suspenso por dez dias e remanejado para uma outra instituição de ensino.

Outro lado

Oito dias depois do ocorrido, Rosi enviou uma carta ao distrito justificando suas ações. Admitiu que estava muito cansado naquela manhã e que tanto ele quanto a classe tiveram poucas atividades recreativas durante todo o ano letivo, e a aula daquele dia seria realizada em uma sala de música. Depois da saudação da bandeira, ele observou alguns meninos “brincando de luta e cavalgada”, sem que se verificasse violência ou agressão, e resolveu deixar que eles continuassem.

Segundo Rosie, todos pareciam se divertir e nenhum aluno parecia desconfortável com a situação. Ele também afirmou que sabia que a atividade estava sendo gravada. Toda a ação durou, segundo o professor, 14 minutos. E que, após a “recreação”, colocou a classe “em ordem” e terminou a aula nos dez minutos restantes. “Pela minha experiência, eu sei que esse é o modo que crianças interagem com seus professores”.

Rosie também disse que o garoto envolvido nunca havia demonstrado qualquer problema de relacionamento nem teve atos de indisciplina. Ele se desculpou dizendo que o local não foi apropriado e disse que o episódio “servirá como uma lição de experiência como professor”.

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