Shaun Curry/AFP - 17/3/09

Mitch Winehouse descreve o envolvimento da filha, Amy, com as drogas

Mariana Peixoto, no Divirta-se

Astros da música e do cinema com histórias trágicas costumam gerar boas biografias. Quando escritas por jornalistas ou pesquisadores que pretendem ir além da tragédia, enfocando também a obra do biografado, tornam-se leitura prazerosa e obrigatória para os fãs. Há nesse universo, no entanto, um subgênero que vem crescendo a olhos vistos: as biografias unilaterais, que trazem o olhar de alguém próximo ao personagem em questão. Dois lançamentos que chegaram recentemente às livrarias brasileiras se encaixam nesse perfil.

O primeiro trouxe muito barulho: Amy, minha filha (Record, 348 páginas), de Mitch Winehouse, lançado um ano depois da morte da cantora mais celebrada na última década. O outro é Meu amigo Michael (Sextante, 314 páginas), de Frank Cascio, ex-faz-tudo de Michael Jackson. Ainda que ambos tenham muitos pontos em comum, sua razão de ser é bem diferente.

Quem acompanhou a fugaz carreira de Amy sabe que Mitch Winehouse foi um pai presente. Com esse livro, cuja renda é destinada à fundação que leva o nome da filha, ele pretende dar um ponto final às especulações em torno dela. Ainda que abranja a trajetória da cantora de seu nascimento à morte, aos 27 anos, a ênfase está na relação de Amy com as drogas. Sem rodeios, o autor culpa o ex-marido dela, Blake Fielder-Civil, pelo drama da filha.

Não havia escapatória para Amy, com seu entra e sai de clínicas de reabilitação e a dificuldade em ouvir os outros. A maior parte disso veio a público. Para os fãs, mais interessante é a primeira parte, em que Mitch relata a história da artista desde a primeira infância (sim, ela sempre foi rebelde, nunca deu ouvido para os outros), sua relação com os amigos e a família. Doído, o relato se justifica também por causa da pouca bibliografia em torno da figura de Amy. Como um livro quase instantâneo, com escrita rasteira e emotiva, ele nada exige do leitor.

Nesse sentido, Meu amigo Michael é ainda mais fraco, com sua narrativa em tom de redação escolar. Vamos e venhamos, a trajetória de Michael Jackson ganhou vários registros mais respeitados. Frank Cascio conheceu Jacko quando tinha 4 anos – o pai trabalhava no hotel nova-iorquino em que o astro costumava se hospedar.

RECORD/REPRODUÇÃO

AMY, MINHA FILHA De Mitch Winehouse Editora Record, 348 páginas Preço médio: R$ 30

NEVERLAND Assim como os parentes, o autor passou a conviver com o cantor. Sua família, de origem italiana, frequentava com bastante constância Neverland, a mansão de Michael. Os irmãos Cascio, ainda crianças, viajavam com o astro. Sim, dividiam a cama com ele. Mas Frank nega que tenha ocorrido algo além do normal.

O fantasma do molestador sexual, grande drama na vida de Jacko, permeia quase toda a narrativa, mas Frank rebate todos os rumores a respeito. “Quero deixar isto bem claro, registrado no papel, para que todos possam ler e entender: o amor de Michael pelas crianças era inocente e gravemente mal interpretado”, escreveu.

Cascio afirma que Jackson gostava de mulheres. Conta, inclusive, sobre algumas relações fugazes dele com fãs, mas revela que o astro era totalmente inibido.

O autor de Meu amigo Michael escreve com certa propriedade, porque depois da convivência direta na infância e adolescência com o astro, aos 18 anos passou a trabalhar para ele. Começou como assistente pessoal e chegou a ser empresário.

O tom infantilizado de sua escrita vai ao encontro da maneira como Jackson vivia. Relata ainda, num crescendo, o problema do consumo excessivo de remédios que acabou matando o cantor.

Nos últimos anos afastado do astro (devido a um mal-entendido, de acordo com o autor, em torno de nova acusação de assédio), mas ainda presente, Cascio reatou os laços com Michael, mesmo que de um jeito torto.

Parente é serpente

Ex-dançarino, assistente pessoal e diretor artístico de Madonna, Christopher Ciccone, três anos mais novo que a estrela, publicou A vida com minha irmã Madonna, em 2008. Na época, eles estavam rompidos (a culpa teria sido do casamento dela com Guy Ritchie). O mano diz esperar que “as lições da cabala a tenham ajudado a entender que ela não é o centro do universo.”

Em 2009, foi a vez de Lynne Spears cometer um livro. Britney Spears: a história por trás do sucesso traz a trajetória da problemática cantora por meio do relato da própria mãe. Só que a primeira parte da biografia conta, na verdade, a história de Lynne, seus problemas com parentes e com o casamento. Como se alguém estivesse interessado…

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