Juliana Cunha, na Folha de S. Paulo

Tablets e celulares estão mudando a maneira como as pessoas leem, com consequências para o corpo.

O celular é a pior opção, em termos de postura. Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam que a leitura na telinha do telefone não ultrapasse 20 minutos.

“Ao ler no celular, projetamos a cabeça excessivamente para frente, o que acaba gerando uma hipolordose cervical, que é a retificação da curvatura do pescoço”, explica o quiropraxista Luiz Miyajima, da QuiroVida.

Com o tempo, a hipolordose desgasta o disco intervertebral, amortecedor que fica entre cada vértebra da coluna, o que pode gerar uma hérnia de disco.

Entre livros e tablets há uma ligeira preferência pelos primeiros.

“Livros são mais anatômicos, porque incentivam a leitura com as duas mãos apoiadas nas laterais do volume, diferentemente do tablet, que tende a ser segurado com uma mão só na parte de baixo”, explica Victor Liggieri, fisioterapeuta e autor de “De Olho na Postura” (Summus, 128 págs., R$ 39).

Tablets leves e de tela fosca –como o “Kindle” convencional– são melhores para a postura, porque evitam o cansaço dos braços e da vista.

As grandes vantagens dos leitores digitais em relação aos livros físicos são o peso menor e a possibilidade de escolher o tamanho da letra (não força a visão e evita que o aparelho fique perto demais do rosto).

A postura ideal para uma leitura longa é aquela clássica: a pessoa sentada diante de uma mesa com o livro ou o tablet apoiado em um suporte que deixe o texto na altura dos olhos.

“Eu sei que nem sempre contamos com toda essa infraestrutura e muitos precisam fazer leituras apressadas no ônibus, mas esse é o jeito certo de ler por muito mais tempo e evitar dores”, afirma Daniel Jorge, ortopedista e membro da Sociedade Brasileira de Coluna.

PRODUTIVIDADE

Suportes para livro também podem ser usados com o tablet. Uma unidade custa cerca de R$ 20 em livrarias virtuais. Esse acessório permite que o material fique alinhado aos olhos sem que a pessoa canse os braços.

Há dois anos, o advogado Renan Alvez, 28, presta concursos públicos regularmente. Ele diz que o “copy holder” aumentou sua produtividade na leitura.

“Chego a ler por oito horas diárias. Nunca tive uma boa postura e, antes, começava a sentir dores já na segunda hora. Hoje, só me lembro que tenho coluna por volta da sexta hora de leitura”, afirma o advogado.

 

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