Cena da versão cinematográfica de “Argo”, dirigida e protagonizada pelo ator americano Ben Affleck

Jessika Gresko, no UOL.com

Pergunte a quase todo adulto norte-americano sobre a crise dos reféns do Irã e você vai ter os contornos de uma história bem conhecida: militantes que atacam a embaixada americana em Teerã, em 1979, e fazem dezenas de reféns por 444 dias.

Agora, em “Argo”, o mestre dos disfarces da CIA Antonio Mendez conta uma história bem menos conhecida sobre a crise. Na confusa e caótica tomada, seis americanos escaparam.

Durante quase três meses, o grupo se escondeu no Irã, protegido pelo governo canadense. Mas a situação tornou-se cada vez mais precária. No fim das contas, a CIA enviou dois agentes para o país para resgatar o grupo. Como cobertura, a CIA inventou uma história elaborada, envolvendo um filme de Hollywood.

Mendez desenvolveu um plano para disfarçar os americanos como um grupo de Hollywood procurando locações para um filme de ficção científica falso chamado “Argo”. Mendez não fez nada pela metade. Ele obteve um script, anunciou o filme, imprimiu cartões, e alugou um escritório e contratou pessoal em Hollywood no caso de alguém no Irã verificar sua história. Então, posando como o produtor do filme, ele entrou em Teerã, ajudou a transformar os funcionários da embaixada em tipos de Hollywood e constrabandeou os americanos em um avião para a Suíça.

Durante anos, porém, a história completa do envolvimento da CIA era um segredo. Isso mudou em 1997, no 50 º aniversário da CIA. Mendez foi homenageado pela agência naquele ano, e ele relatou a história de “Argo” para o jornalista Dan Rather.

Agora, no que é uma ironia, a história do filme falso está se tornando o enredo de um filme de Hollywood real. O lançamento está previsto para 12 de outubro, e Ben Affleck dirige e estrela como Mendez.

Os leitores que quiserem a versão não-hollywoodiana vão descobrir que além de ser um espião talentoso, Mendez também é um contador de histórias talentoso. Este habitante de Maryland escreveu anteriormente sobre o seu trabalho clandestino em “O Mestre do Disfarce” e “Spy Dust”. Seu último livro é muito fácil de ler apesar do fato de os leitores sabem desde o início como a história vai acabar. Ainda assim, manter as biografias e personalidades dos seis fugitivos em linha reta não é fácil. Talvez assistir ao filme primeiro ajudaria bastante.

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