Nova trilogia da literatura erótica (divulgação)


Gabriel Machado, no A Crítica

Alguns o consideram uma versão mais pesada do bestseller mundial “Crepúsculo”, outros já o acham uma tentativa desesperada de emplacar a próxima sensação da literatura juvenil. Fato é que não se fala em outra coisa: o livro “Cinquenta tons de cinza” se tornou uma febre ao redor do mundo e tem tudo para seguir os passos dos gigantes “Harry Potter” e “Jogos vorazes”.

A obra, escrita pela britânica E.L. James, não possui bruxinhos, jovens revolucionários ou vampiros. Pelo contrário, ela acompanha as aventuras sadomasoquistas de Christian Grey e Anastasia Steel, um executivo e uma estudante que firmam um acordo pouco comum: ele pede à garota que assine uma espécie de contrato, no qual ela concorda em desempenhar um papel de “submissa” numa série de “atividades eróticas”.

“Eu gostei muito do livro, mas reconheço que o seu conteúdo é bastante pesado e que possui cenas de sexo desnecessárias”, comentou a arquiteta Maria Margareth Pimentel, que leu a primeira parte da trilogia – completada por “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade” – logo que ela saiu nos EUA, em março.

Apesar dos comentários dos fãs, que classificam a obra como “revolucionária”, o erotismo está longe de ser novidade na literatura. Ao longo dos anos, nomes como Marquês de Sade, Nelson Rodrigues e Sidney Sheldon também já abordaram o tema em seus livros. “Na verdade, o erotismo pode estar presente em várias obras. O conto de Machado Assis ‘Uns Braços’, por exemplo, descreve um rapaz que é seduzido pelos braços desnudados de uma senhora”, exemplificou Lajosy Silva, professor de Língua Inglesa e Literatura na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Erotismo x Pornografia

Uma das polêmicas que cerca a trajetória de “Cinquenta tons de cinza” é o excesso de cenas de sexo, apimentadas por uma grande leva de descrições detalhadas. O que nos deixa a questão: onde termina o erotismo e começa a pornografia? Existe diferença entre os dois?

Segundo Lajosy, o primeiro está ligado ao sensorial e à sugestão do desejo, enquanto o segundo é a mera exposição da sexualidade nua e crua, sem floreios. O professor, responsável por lançar uma coleção de obras eróticas no ano passado, como parte do projeto “Clube do Autor”, porém, faz uma ressalva: “O que separa esses elementos tem mais a ver com os valores morais estabelecidos pela sociedade e o senso comum que se atribui a essas duas palavras”.

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