Escritor chinês Mo Yan vence o Nobel de Literatura 2012 (19/7/2010)

Publicado originalmente no UOL.com

A Academia Sueca anunciou o escritor chinês Mo Yan como o vencedor do prêmio Nobel de Literatura 2012, na manhã desta quinta-feira (11). O anúncio foi feito em Estocolmo, na Suécia, às 8h no horário de Brasília, pelo porta-voz do Comitê Nobel que disse: “com realismo alucinatório, ele funde contos populares, história e os contemporâneos”.

Segundo o Twitter oficial do Nobel, ao saber do prêmio, Mo Yan estava em casa e disse estar “muito feliz e com medo”.

Aos 57 anos, o autor do romance “The Garlic Ballads” (publicado em inglês em 1995 e ainda sem tradução para o português) concorria com nomes como o japonês Haruki Murakami, o húngaro Péter Nádas, e o holandês Cees Nooteboom. Mo Yan também é conhecido por ser o autor dos dois livros que deram origem ao filme “Sorgo Vermelho” (1987), de Zhang Yimou, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim.

O escritor receberá a honraria pelo retrato da conturbada história de seu país, em uma descrição em que se mesclam as tradições e os ritos do mundo rural e em uma linguagem de realismo e magia, assim como a ironia e a sensibilidade, segundo a descrição da Academia.

O prêmio Nobel de Literatura é oferecido anualmente, desde 1901, ao escritor de qualquer nacionalidade que, de acordo com as palavras do próprio Alfred Nobel, criador da honraria, “tenha produzido, no campo literário, a obra mais notável em uma direção ideal”.

Segundo a Academia Sueca, 210 escritores disputavam o prêmio neste ano, sendo que 46 deles não haviam sido candidatos em edições anteriores.

O comitê do Nobel envia cartas-convite aos autores qualificados para receber uma indicação ao prêmio. Candidatos qualificados mas que não receberam convite também podem se inscrever. Os nomes dos indicados só podem ser revelados 50 anos depois da premiação.

O Nobel de Literatura 2012, no valor de 8.000.000 de coroas suecas (aproximadamente R$ 2,434 milhões), 20% menos que o ano passado. Em 2011, o vencedor foi o poeta sueco Tomas Tranströmer, 81, cuja obra é inédita no Brasil. Em 2010, o romancista peruano Mario Vargas Llosa foi o escolhido pela Academia Sueca.

A semana do Nobel começou na segunda-feira com a concessão do prêmio de Medicina ao britânico John B. Gurdon e ao japonês Shinya Yamanaka e continuou na terça-feira com o anúncio do de Física, ao francês Serge Haroche e ao americano David J. Wineland.

A rodada dos prêmios Nobel do âmbito científico terminou ontem com o de Química, para os americanos Robert J. Lefkowitz e Brian K. Kobilka.

Depois que o de Literatura foi revelado, a expectativa agora cerca o da Paz, que será divulgado amanhã, enquanto na segunda-feira será conhecido o de Economia.

A entrega dos Nobel será feita, de acordo com a tradição, em duas cerimônias paralelas, em Oslo para o da Paz e em Estocolmo os restantes, o dia 10 de dezembro, coincidindo com o aniversário da morte de Alfred Nobel.

Livros do escritor chinês Mo Yan são expostos na Feira de Frankfurt nesta quinta (11)

História

Oferecido pela primeira vez em 1901, o Prêmio Nobel de Literatura não foi entregue em apenas sete ocasiões: durante a Primeira Guerra Mundial, em 1914 e 1918; em 1935; e durante a Segunda Guerra, em 1940, 1941, 1942 e 1943.

Até hoje, 108 autores foram agraciados com a homenagem, sendo apenas 12 mulheres – a última delas foi a escritora alemã de origem romena Herta Müller, em 2009.

Em quatro edições, o Nobel foi dividido por dois escritores: Frédéric Mistral e José Echegaray, em 1904; Karl Gjellerup e Henrik Pontoppidan, em 1917; Shmuel Agnon e Nelly Sachs, em 1966; e Eyvind Johnson e Harry Martinson, em 1974.

A idade média dos ganhadores do Nobel de Literatura é de 64 anos, sendo que o mais jovem a receber o prêmio foi o inglês Rudyard Kipling, aos 42 anos, em 1907. A inglesa Doris Lessing é a escritora mais velha a receber a homenagem: aos 88 anos, em 2007.

Apenas dois autores recusaram a premiação: o russo Boris Pasternak, em 1958, obrigado pelas autoridades soviéticas a recusar o prêmio; e o existencialista francês Jean Paul Sartre, em 1964, que se recusava a receber honrarias oficiais.

O único autor de língua portuguesa a receber um Nobel foi o português José Saramago, em 1998.

*Com informações da EFE

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