Publicado originalmente no G1

Na moda das biografias em quadrinhos, foi lançada na França ‘Lomax’, que acompanha a peregrinação de dois pesquisadores de música no sul dos Estados Unidos no começo do século XX. John e Alan Lomax, pai e filho, percorreram fazendas e entrevistaram descendentes de escravos e prisioneiros para capturar o espírito do blues que estava se disseminando naquela região.

A ideia inicial do autor era fazer um documentário, mas o projeto acabou não dando certo, para sorte dos amantes das biografias e das histórias em quadrinhos. Apesar de o gênero estar fazendo sucesso no Brasil, nenhuma editora brasileira comprou os direitos para publicação do livro no país.

Entre as curiosidades da obra está o fato de Alan gravar as músicas em cilindros de cera, mesmo enfrentando dificuldades logísticas de transporte. Ele acreditava que um dia os arquivos estariam disponíveis para todo o mundo. Há cerca de quatro meses, o que era um sonho se tornou realidade. Todo o arquivo sonoro dos Lomax foi digitalizado e colocado na internet. Uma das raridades é ‘Stagolee’, balada do homem malvado que é considerada uma das raízes do blues, que influenciou Bob Dylan, Bruce Springsteen e o folk dos anos 60.

O Brasil também teve trabalhos pioneiros. Na década de 30, o escritor Mário de Andrade realizou a Missão de Pesquisas Folclóricas. Nos anos 90, Hermano Vianna, Beto Villares e Gilberto Gil também registraram músicas históricas no projeto Música do Brasil. Mas, ao contrário dos arquivos dos Lomax, este material não está disponível na internet.

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