José Luiz Goldfarb. curador do Jabuti, durante Festival de Cinema Judaico de São Paulo (6/8/12)José Luiz Goldfarb. curador do Jabuti, durante Festival de Cinema Judaico de São Paulo (6/8/12)

 

Publicado no UOL

Depois de uma polêmica com as notas dadas por um dos jurados do Prêmio Jabuti, o sistema de avaliação será revisto para a próxima edição. Em entrevista ao UOL, o curador da premiação, José Luiz Goldfarb, confirmou seu descontentamento com o uso matemático da escala de notas por um jurado para desfavorecer alguns dos finalistas do prêmio literário, que teve a lista final divulgada na noite desta quinta (18).

“O sistema de votação será aprimorado, a gente não previu essa situação e não imaginou que ele colocaria a obra em uma categoria tão baixa. Estamos pensando em novos mecanismos, de colocar mais jurados ou restringir a nota de cinco a dez”, explicou.  “Como curador, não fico contente que o voto de um jurado tenha um peso maior. Mas o cara foi esperto, inteligente, fez uso dos cálculos e beneficiou as obras de quem ele queria”, completa.

Em 2012, a escolha do vencedor do Jabuti se baseou em votos de três

Oscar Nakasato, autor de “Nihonjin”

jurados: A, B e C, que podiam dar notas de 0 a 10 para cada autor. O jurado C, no entanto, deu notas como 0 e meio e acabou desclassificando autores veteranos como Ana Maria Machado, que concorria com o romance “Infâmia”. A identidade dos jurados só é revelada após o anúncio do “Livro do Ano”.

“O voto dele foi ou muito positivo ou muito negativo nos autores que tinham notas médias dos outros jurados. Nesse caso, ele acabou definindo a votação e a gente teve um Jabuti que beneficiou estreantes. Mas ele está na lei, assim como uma eleição política”. Um dos estreantes beneficiados foi o vencedor Oscar Nakasato, autor de “Nihonjin” e vencedor na categoria Romance.

Quanto à autora Ana Maria Machado, Goldfarb diz que espere que ela “não fique brava”.  “Espero que ela continue sendo minha amiga. Ela é uma finalista, foi bem votada pelo A e B. Ela não foi prejudicada, estava em um prêmio que poderia ganhar ou não e estava ciente do regulamento”.

De acordo com Goldfarb, essa não é a primeira polêmica que envolve notas. Em 1994, Fernando Morais acabou ficando com a obra “Chatô” fora do prêmio por causa de favoritismos políticos do momento. “Me questionaram muito nessa época, mas não coloco a mão no resultado dos jurados. Na época, Fernando disse que confiava no prêmio e que tentaria de novo em outras edições. Quatro anos depois ele acabou ganhando com ‘Corações Sujos’”.

Apesar do descontentamento com o jurado C, Goldfarb diz que o processo de escolha da banca é baseada em formadores de opinião e jornalistas literários de “alto nível”. “Atualmente temos na Câmara uma comissão que ajuda a avaliar quem serão os jurados, que às vezes se indicam para avaliar as obras”, explica. “Não acho que tenha nenhum problema com esse jurado. Ele já participou de outras edições. Não fiquei satisfeito mesmo porque ele abusou dessa possibilidade matemática. E sou transparente quanto a isso. Mas são votos de qualquer forma e ele não foi o único a usar essa tática”, finaliza.

foto do José Luiz Goldfarb: Zanone Fraissat – Folhapress / MONICA BERGAMO

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