Integrantes do coletivo artístico Maria Realenga Foto: Nina Lima / Extra


Publicado originalmente no Extra

Em 26 de novembro de 2011, o “sarau cultural em terras realengas” marcou a formação do coletivo Maria Realenga. Depois do evento Samba, choro e outras bossas, no fim de fevereiro, a reunião de artistas e intelectuais “não produtivos” de Realengo — como diz o publicitário Jorge Torres — dá um passo adiante: a 1ª Feira Literária de Realengo. Justamente para retirar o “não” da expressão de Jorge.

— O evento é para instigar os autores já publicados do bairro, como Carminha de Moraes, e blogueiros e pessoas que também já escrevem, sem ter a oportunidade de publicação — diz Sidnei Oliva, estudante de Ciências Sociais.

Quem vem nessa leva é o escritor Sérgio Martins, de 33 anos. Morador da comunidade São Cosme e São Damião, no sub-bairro Jardim Novo, ele lançará, durante a feira Zé do Rio, um livro infanto-juvenil que traz muito de sua história no bairro:

— Conto a história de um garoto de 15 anos, morador de favela, que tem um dom artístico aflorado. Com isso, ele começa a mudar a realidade do local onde vive, superando as adversidades.

Além de Sérgio, o homenageado do evento, a professora de Geografia Vanielle Bethânea, de 28 anos, também lançará uma obra infanto-juvenil, “Chapeuzinho verde na Mata Atlântica”:

— É uma releitura do clássico que trabalha a questão ambiental. Fala do maior patrimônio que temos aqui na Zona Oeste, o Maciço da Pedra Branca.

As edições que serão lançadas no dia, são feitas de forma artesanal, a partir do papelão que comporta caixas de leite.

O único escritor fora de Realengo, que estará presente, é Flávio Duncan, autor de “Guia afetivo da periferia”. A festa será a partir de 16h, no restaurante Bom Petisco, na Avenida Marechal Fontenelle 4473.

Uma resposta para a violência

O coletivo Maria Realenga surgiu como uma resposta cultural ao episódio violento que o bairro viveu em abril do ano passado. O “massacre de Realengo”, como ficou conhecido, chocou não só os moradores da região, mas de todo o Rio de Janeiro. Na época, um ex-aluno da Escola municipal Tasso da Silveira entrou atirando na unidade, matando 12 estudantes, com idade entre 12 e 14 anos.
— Queríamos acabar com o estigma de “bairro-tragédia”, e resgatar a história de Realengo — diz Sidnei Oliva, de 42 anos.

Jorge Torres, de 44, acrescenta:

— Eu pergunto: “conhece Realengo?”, e escuto: “Sim, onde houve massacre”. O que queremos como resposta é: “Não onde há atores, músicos, poetas…” É o que queremos como resposta.

dica do Leandro Pontes

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