Entre os 19 e os 20 anos, Marcel Proust (1871-1922) publicou, na revista Le Mensuel, uma série de onze textos agora reencontrados e reunidos no livro Le Mensuel Retrouvé, que acabou de ser lançado em França pela editora Busclat.

Publicado no Público


Os textos são de natureza muito diversa e incluem duas narrativas, crónicas mundanas, comentários a exposições e espectáculos de variedades, recensões literárias, e mesmo artigos sobre moda.

O futuro autor de Em Busca do Tempo Perdido, que terminara há pouco os seus estudos liceais e frequentava então os cursos universitários do historiador Albert Sorel e do filósofo Henri Bergson, publicou os artigos para Le Mensuel entre Novembro de 1890 e Setembro do ano seguinte, tendo-os assinado com diversos pseudónimos. Só num caso usou o seu nome, Marcel Proust, e noutro as suas iniciais. Os restantes textos são subscritos por “de Brabant “, “Fusain”, “Y”, “Bob”, ou por pseudónimos mais elaborados, como “Étoile Filante” (estrela cadente) ou “Pierre de Touche” – num jogo de palavras com o nome próprio Pedro e o substantivo homógrafo pedra, o jovem crítico Marcel Proust auto-intitula-se “pedra de toque”, um utensílio usado para avaliar a pureza dos metais.

Na primeira das duas narrativas que escreveu para Le Mensuel, e que estavam completamente esquecidas há mais de um século, Proust evoca as paisagens marítimas e os parques da Normandia, que depois revisitará muitas vezes nas páginas de Em Busca do Tempo Perdido. A segunda ficção, initulada Souvenir (recordação), centra-se numa rapariga chamada Odette, que o narrador da história amara e de quem se lembra com nostalgia, anos mais tarde.

O prefácio de Le Mensuel Retrouvé é redigido pelo escritor e cineasta Jérôme Prieur, autor da obra Proust Fantôme, que fornece abundante informação de contexto para a leitura destas primeiras incursões literárias do jovem Proust.

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