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Fachada da Biblioteca de México José Vasconcelos

Cidade dos Livros e da Imagem abriu as portas em 21 de novembro.Edifício de 1807 teve investimento de US$ 41 milhões.

Publicado no G1

Uma antiga fábrica de tabaco, construída durante o período colonial no México, ressurge agora como um centro de vanguarda para letras e artes visuais em um ambicioso projeto de transformação, que precisou enfrentar enormes desafios arquitetônicos, bibliográficos e artísticos.

“Nas palavras do escritor Carlos Monsiváis, ‘é a primeira grande façanha do século XXI mexicano’, que, além disso, inaugura um novo conceito: o de que o Estado deve adquirir, preservar, resguardar e dedicar um lugar especial para bibliotecas pessoais de grandes homens e mulheres de letras”, afirmou à Agência Efe a presidente do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes (Conaculta), Consuelo Sáizar.

A Cidade dos Livros e da Imagem, que abrigará o edifício La Cuidadela na capital mexicana, abriu suas portas no último dia 21 de novembro com a entrega da primeira edição do Prêmio Internacional Carlos Fuentes de Criação Literária em Idioma Espanhol ao peruano Mario Vargas Llosa.

Situada no centro da Cidade do México, a La Cuidadela é um formoso edifício neoclássico de 28 mil metros quadrados, cuja construção foi iniciada em 1793 e que terminou somente com a edificação da Real Fábrica de Tabacos, em 1807.

Posteriormente, o edifício foi transformado em fortaleza militar, prisão, fábrica e depósito de armas. Em 1931, o prédio foi declarado patrimônio histórico e, em 1946, acabou sendo transformado na Biblioteca José Vasconcelos.

No entanto, no último ano, essa biblioteca fechou suas portas para dar passagem a um ambicioso projeto de remodelação, no qual foram investidos US$ 41 milhões para transformá-la em um centro cultural de vanguarda.

O novo espaço está dividido em quatro pátios: o dos Escritores, que é rodeado por cinco extraordinárias bibliotecas pessoais, o de Leitura, o de Imagem e o de Cinema.

Além de todas as transformações na estrutura do edifício, o centro também ganhou uma livraria, acessos especiais para incapacitados, salas de leitura e digitais, uma galeria de exposições, um cinema e uma biblioteca para crianças.

Em uma referência ao edifício original, o artista holandês radicado no México Jan Hendrix montou “A folha de tabaco”, uma escultura de alumínio branco coberta de cerâmica que projeta interessantes jogos de luz e lembra uma pilha de livros.

Na Cidade dos Livros e da Imagem também se destaca o primeiro mural do desenhista mexicano Vicente Rojo, “Gran escenario primitivo” (Grande cenário primitivo), de 7,2 metros de comprimento por três de altura.

Em suma, na La Cuidadela haverá cerca de 540 mil livros de um acervo geral enriquecido pelas bibliotecas pessoais de cinco intelectuais mexicanos: os poetas Alí Chumacero e Jaime García Terrés, o cronista Carlos Monsiváis, o bibliófilo José Luis Martínez e o humanista Antonio Castro Leal.

Neste aspecto, a presidente da Conaculta destacou o cuidado com esta parte do projeto, já que, segundo Consuelo, “uma biblioteca pessoal é a construção de um pensamento muito importante para assegurar novos leitores e estudiosos”. “As grandes bibliotecas que existem no México corriam o risco de serem vendidas ao exterior, como foi feito em praticamente todo o século XVIII e XIX”, completou.

Adquiridas em negociações com as famílias, cada uma delas tem fundos parcialmente digitalizados, facilidades de acesso e adaptação para uso de pessoas cegas, além de seus próprios “tesouros”.

A de Monsiváis, por exemplo, contêm mais de 24 mil livros, jornais e revistas, muitos de cultura popular e cinema. A de Castro Leal traz obras dedicadas, como “Plenos poderes”, do chileno Pablo Neruda, enquanto a de García Terrés é, “provavelmente, a melhor coleção de poesia em espanhol em uma biblioteca pessoal”, comentou Consuelo.

Satisfeita com o resultado, a presidente da Conaculta, um organismo com funções similares ao Ministério da Cultura, ressaltou que este será o último grande projeto da Administração de Felipe Calderón, que entregará o poder no próximo dia 1º de dezembro.

Foto: Cristina Rodríguez, no La Jornada

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