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Lecticia Maggi, na Veja on-line

A Polícia Federal (PF) divulgou a lista contendo os nomes das 38 instituições de ensino superior cujos vestibulares foram alvos de quadrilhas especializadas em fraudar provas de acesso a cursos de medicina. Os casos foram revelados pela Operação Calouro da PF: alguns grupos agiam havia cerca de 15 anos. Em alguns episódios, os grupos teriam efetivamente manipulado o resultado dos processo seletivos, favorecendo candidatos. Segundo a PF, em 18 meses, as organizações criminosas atuaram em mais de 50 vestibulares, com destaque para ações nas provas da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e de Campinas.

A PF afirma que está enviando às instituições listas de alunos que provavelmente ingressaram no vestibular com ajuda das quadrilhas. “Durante as investigações, as instituições colaboraram muito com o trabalho da polícia. Passávamos os nomes dos indivíduos que usariam documentos falsos no vestibular e elas acionavam a Polícia Militar”, afirma Leonardo Damasceno, delegado federal responsável pela operação.

Durante as investigações, a PF chegou a sete quadrilhas, sendo que duas delas atuavam havia mais de 15 anos. Ainda não se sabem quantas provas foram manipuladas no período ou quantos candidatos se beneficaram dos crimes. Segundo o último balanço da PF, divulgado na tarde desta sexta-feira, 51 pessoas foram presas e ainda há ordens de prisão para mais 19. A busca pelos demais suspeitos prossegue.

Goiás acumula o maior número de prisões: 18. No estado, a PF identificou a sede de seis dos sete grupos que fraudavam as provas. Outro possuía sede em Minas Gerais. A atuação das quadrilhas se estendia por mais oito estados (ES, RJ, SP, TO, RS, AC, MT e PI) e Distrito Federal.

Os detidos são acusados dos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsidade documental, lavagem de dinheiro e fraude em seleções públicas, cujas penas somadas chegam a 10 anos de reclusão. Entre os suspeitos, há médicos, enfermeiros, estudantes da área de saúde e de direito e empresários. Os candidatos que contrararam os serviços, ainda que não tenham sido aprovados nos vestibulares, podem ser responsabilizados por falsidade ideológica, crime cuja pena varia de 1 a 3 anos de prisão.

Atuação – As quadrilhas agiam de duas maneiras. A mais elaborada consistia em falsificar o documento de identidade de um candidato para que, em seu lugar, um integrante da quadrilha realizasse a prova. Pelo outro modo de operação, o próprio candidato realizava a prova, recebendo informações da quadrilha por mensagens no celular, via rádio ou ponto eletrônico.

O valor cobrado por uma vaga chegava a 80.000 reais. Cada quadrilha tinha uma forma de cobrança, mas em geral o recebimento só acontecia após a aprovação.

Confira abaixo as instituições que foram vítimas das quadrilhas:

1. Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP)
2. Faculdades Integradas do Centro Educacional do Planalto Central (Faciplac)
3. Centro Universitário de Caratinga/MG (Unec)
4. Centro Universitário de Araraquara (Uniara)
5. Centro Universitário São Camilo
6. Universidade Anhanguera (Uniderp)
7. Universidade Metropolitana de Santos (Unimes)
8. Centro Universitário do Pará (Cesupa)
9. Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (Novafapi)
10. Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc)
11. Universidade Cidade de São Paulo (Unicid)
12. Universidade Presidente Antonio Carlos (Unipac)
13. Faculdade da Saúde e Ecologia Humanas – Vespasiano/MG – Faseh
14. Universidade Católica de Pelotas (UCPel)
15. Fundação Técnico-Educacional Souza Marques
16. Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo)
17. Universidade Anhembi Morumbi
18. Unificado Cesgranrio
19. Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos Dr. Paulo Prata
20. Universidade Nove de Julho (Uninove)
21. Universidade Estácio de Sá
22. Centro Universitário de Maringá (Cesumar)
23. Universidade de Rio Verde
24. Universidade de Franca (Unifran)
25. Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)
26. Associação Educativa Evangélica (Unievangélica)
27. Faculdade Ceres (Faceres)
28. Faculdade de Minas (Faminas)
29. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG)
30. Universidade Salvador (Unifacs)
31. União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago)
32. Universidade Santo Amaro (Unisa)
33. Universidade de Marília (Unimar)
34. Faculdade Santa Marcelina
35. Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso)
36. Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte)
37. Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam)
38. Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)

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