Publicado no Diário de Cuiabá

Nos 164 anos após sua morte, seu livro atingiu o status de grandioso clássico da literatura mundial. Sua influência nas artes é inquestionável

Da Redação

A Literatura Mundial lembrou os 164 anos de falecimento da escritora inglesa Emily Brontë, autora de uma única obra, “O Morro dos Ventos Uivantes”, falecida em 19 de Dezembro de 1848.

Nestes 164 anos que se passaram seu livro atingiu o status de um dos maiores clássicos da literatura mundial. Apesar de não ter escrito outros livros, sua influência no mundo literário e nas artes, junto com suas outras duas irmãs, Anna e Charlotte, foi grandiosa.

Emily Brontë, escritora e poetisa, filha de Patrick Brontë, vigário da Igreja da Inglaterra, e Maria Branwell, nasceu na região de Thornton, em Yorkshire, na Inglaterra em 30 de julho de 1818, irmã mais nova de Charlotte Brontë e a quinta de seis crianças. Em 1820, sua família mudou-se para Haworth, onde o pai de Emily foi nomeado pároco local, e nestes arredores o seu talento literário floresceu. Depois da morte de sua mãe, as três irmãs e seu irmão Branwell criaram terras imaginárias (Angria, Gondal, Gaaldine), que apareceram nas histórias que eles escreveram. Poucos dos trabalhos de Emily neste período sobreviveram, exceto alguns poemas.

Os quatro irmãos criaram um mundo rico de imaginação e fantasia que funcionava como um escape ao tédio puritano da religião e proporcionava um alívio à rigorosa pobreza da vida no campo. Assim, inventaram um universo repleto de reinos encantados e românticos, explorando seus personagens imaginários numa imensa coleção de diários, peças, poemas e histórias. Entretanto, Emily parecia destinada a ficar em casa para sempre: diversas passagens por outros colégios internos fracassaram logo no início, pois ela não suportava a saudade de casa e sua saúde definhava.

Apesar das vendas desencorajadoras, Charlotte, Emily e Anne entusiasmaram-se com a publicação conjunta, e cada uma começou a escrever os seus próprios romances. O primeiro foi “Jane Eyre”, de Charlotte, em outubro de 1847, seguido dois meses mais tarde por “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily, e “Agnes Grey”, de Anne. Mas o fim dessa família notável aconteceu rapidamente. Emily morreu de tuberculose em novembro de 1848 aos 30 anos de idade e foi enterrada no cemitério da igreja de St. Michael and All Angels, em Haworth, oeste de Yorkshire, sendo acompanhada por suas irmãs, logo depois.

A OBRA

Emily Brontë publicou “O Morro dos Ventos Uivantes” em 1847, e embora primeiramente tenha recebido estranhas críticas, o livro tornou-se rapidamente um clássico da literatura inglesa. Recebeu quatro versões oficiais no cinema e inúmeras adaptações.

O livro foi publicado através do pseudônimo Ellis Bell. Hoje considerado um dos grandes clássicos da literatura universal, caracteriza-se como uma grande história de amor amaldiçoado e de vingança e é visto como a mais intensa história de amor já escrita na língua inglesa, tendo recebido fortes críticas quando de sua publicação no século 19.

Um ano antes de seu lançamento, as três irmãs Brontë – Charlotte, Emily e Anne – haviam publicado uma coletânea de poemas sob o nome de “Currer, Ellis e Acton Bell”. Nos círculos literários ingleses era crença generalizada que as “Irmãs Brontë” e os “Irmãos Bell” fossem as mesmas pessoas. No entanto, o simples crédito deu margem a controvérsias: qual das irmãs Brontë seria qual dos irmãos Bell? Correntes de críticos afirmavam que os três pseudônimos pertenciam na realidade à mesma pessoa: Charlotte Brontë; outros sugeriam que os demais pseudônimos “Bell” não se relacionavam com nenhuma das irmãs, mas sim com seu irmão, Branwell.

Críticos da época reagiram com indiferença à publicação de “O Morro dos Ventos Uivantes”, comparando-a desfavoravelmente com “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë, enquanto outros acharam o livro excessivamente mórbido e violento. Finalmente, a reavaliação crítica gradual encabeçada pela própria Charlotte resultou no reconhecimento do gênio de Emily e na aceitação do livro como uma obra-prima singular.

O livro representa um distanciamento radical da tradição vitoriana de romance, uma vez que é fortemente influenciado pelo estilo de lorde Byron e Percy Shelley, em suas poesias, e pelo ar gótico e rebuscado de Horace Walpole (autor do primeiro romance gótico “O Castelo de Otranto”) e por Mary Shelley (autora de “Frankenstein” e “O Último Homem”).

“O Morro dos Ventos Uivantes” já foi adaptado mais de vinte vezes para o cinema, rádio e televisão. A versão de William Wyler de 1939, estrelada por Merle Oberon como Cathy e Laurence Olivier como Heathcliff, é considerada um dos grandes clássicos do cinema até os dias de hoje, indicado para sete categorias da mais importante premiação do cinema e vencedora do prêmio por sua fotografia; as versões mais recentes são as de 1992, estrelada por Juliette Binoche e Ralph Fiennes, e a de 2011, estrelada por Kaya Scodelario e James Howson.

 

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