Livros sobre futebol invadem as prateleiras
Publicado por Estadão
Nem no Brasil nem no exterior o futebol costuma ser bem tratado pela literatura. Não que não haja livros sobre futebol. Há, e muitos. O raro é que sejam bons. E mais raro ainda que dois ótimos exemplares sejam publicados quase ao mesmo tempo como Páginas Sem Glória, de Sérgio Sant?Anna, e O Barça – Todos os Segredos do Melhor Time do Mundo, de Sandro Modeo. À parte a boa qualidade e terem o futebol como foco, são em tudo diferentes.
Sant?Anna é um dos nossos melhores ficcionistas. Modeo, um jornalista italiano que costuma escrever sobre futebol, mas de maneira toda particular, evitando os clichês dos seus colegas de ofício. Páginas Sem Glória (Companhia das Letras, 184 págs., R$ 29,50), na verdade, é um livro que inclui três relatos, entre eles o mais extenso – e o que nos interessa – e dá título ao volume. É tão superior aos outro dois, os contos Entre as Linhas e O Milagre de Jesus, que mereceria um volume autônomo. Pequeno, também, pois tem apenas 107 páginas. Mas elas estão entre o que de melhor já se produziu neste país tendo o futebol como tema. São, na verdade, páginas gloriosas.
Para traçar o perfil do seu personagem – o jogador José Augusto Fonseca, o Conde -, Sant?Anna se vale de memórias de infância e juventude e de toda a sua experiência como frequentador do assunto. A história – real – do futebol brasileiro é composta de personagens magníficos, desde os ídolos que deram certo, no campo e na vida, como Pelé e Zico, até os trágicos, como Garrincha e Heleno de Freitas. Na figura ficcional de Zé Augusto, vemos um pouco de cada um deles, e de nenhum.
Bem diferente é a narrativa futebolística de Sandro Modeo em O Barça – Todos os Segredos do Melhor Time do Mundo (Qualitymark, 208 págs., R$ 24,90), que escreve para o Corriere della Serra e outros veículos. A bola da vez, digamos assim, é o Barcelona, atual fenômeno mundial do futebol. Na opinião quase unânime, o Barça é o melhor time da atualidade. Mas dizer isso seria pouco. Como chegou a essa “forma perfeita”? Modeo ensaia vários ângulos de abordagem. Desde o histórico, associando-o a determinadas características especiais da Catalunha, até a explicação quântica, que esclareceria como o Barça mostra o suprassumo do “futebol total”, expressão associada à famosa seleção holandesa dos anos 70. Todos atacam, todos defendem, todos atuam de forma integrada. O livro de Modeo é esclarecedor, embora não evite o tom superlativo que acompanha em regra os textos sobre o Barcelona. Admiração é uma coisa; deslumbramento, é outra. Mas os méritos são muitos e a ótica interdisciplinar da abordagem enriquece a leitura do futebol. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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This entry was posted by Tininha on 2 de janeiro de 2013 at 14:00, and is filed under livros. Follow any responses to this post through RSS 2.0.You can leave a response or trackback from your own site.
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