Marco Prates, no Exame.com

As escolas a seguir, distribuídas pelas 5 regiões do Brasil, conseguiram um feito notável: fazer com que alunos de áreas carentes, com pais de pouca instrução, tivessem desempenho a altura de pares de nações desenvolvidas

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Dulla

Sem milhões para gastar, mas muita disciplina

Está certo quem diz que alunos que vêm de famílias com baixo poder aquisitivo e menor histórico educacional, em regiões pobres, têm, em geral, desempenho inferior em avaliações quando comparados a estudantes de regiões mais desenvolvidas. A correlação aparece em estudos nacionais e internacionais.

Mas tal constatação não é, de maneira nenhuma, um atestado de que estes alunos não podem, quando estimulados da maneira correta, aprender tanto ou mais que qualquer outro. As escolas desta lista são a prova disso.

A Fundação Lemann e o Itaú BBA resolveram ir a campo e investigaram a fundo seis centros de ensino – em um universo de 215 escolas – que conseguiram tirar dos alunos hoje desempenho esperado das demais crianças do 5º ano somente em 2022.

A meta do Ministério da Educação é que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Brasil chegue a 6 no período de 10 anos, o que seria, segundo o MEC, comparável aos países desenvolvidos.

Hoje, a média do país é 5. Estas unidades de ensino, no entanto, ficam acima de 7.

Clique nas fotos para conferir algumas das medidas de sucesso adotadas por estas seis escolas públicas que conseguiram fazer a educação cumprir seu principal objetivo: dar oportunidade a todos.

A descrição das medidas foi retirada, com adaptações, do relatório Excelência com Equidade. Veja também a porcentagem de alunos do 5º ano do ensino fundamental que aprenderam o que é considerado adequado para a própria idade em Português e Matemática.

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Região Sul – Foz do Iguaçu (PR)

Escola Municipal Professora Suzana Moraes Balen
Ideb (2011) – 7,5
Ideb (2007) – 4,7

O que a escola fez: O décimo quarto salário é distribuído a todos os funcionários da escola em caso de desempenho maior ou igual a meta no Ideb. O bônus foi implementado enfatizando que o cumprimento das metas depende do aprendizado efetivo dos alunos, pragmatismo muitas vezes ignorado nas salas de aulas brasileiras.

Alunos que sabem Português: 90%
Alunos que sabem Matemática: 80%
Média do Brasil: 37% (Português) e 33% (Matemática)

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Região Sudeste – Rio de Janeiro (RJ)

CIEP Glauber Rocha
Ideb (2011) – 8,5
Ideb (2007) – 5

O que a escola fez: Mesmo localizada em área de grande violência urbana, o ambiente do centro de ensino é seguro. De acordo com a diretora, a última ocorrência foi há quatro anos, quando ladrões invadiram a escola para roubar utensílios da cozinha. O sucesso ocorre porque a escola se envolve com a comunidade e a comunidade com a escola. Ter os vizinhos como guardiões é o melhor remédio contra episódios que podem afligir estabelecimentos de ensino em áreas violentas.

Alunos que sabem Português: 93%
Alunos que sabem Matemática: 97%
Média do Brasil: 37% (Português) e 33% (Matemática)

Reprodução Fundação Lemann e Itaú BBA

Reprodução Fundação Lemann e Itaú BBA

Região Centro-Oeste – Acreúna (GO)

Escola Municipal João Batista Filho
Ideb (2011) – 7,3
Ideb (2007) – 3,6

O que a escola fez: Assim como todas as demais desta lista, a escola de Acreúna começou com o desenho de metas de aonde elas queriam chegar. A decisão de estabelecê-las criou ainda a necessidade de definir parâmetros claros sobre o que se espera que os alunos aprendam. Sem isso, como saber se o aluno tem ou não um aprendizado adequado àquela série?

Alunos que sabem Português: 81%
Alunos que sabem Matemática: 90%
Média do Brasil: 37% (Português) e 33% (Matemática)

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Região Norte – Palmas (TO)

Escola Municipal Beatriz Rodrigues da Silva
Ideb (2011) – 8
Ideb (2007) – 4,7

O que a escola fez: A unidade se preocupa com estímulos adicionais para os alunos: atividades extracurriculares, como práticas de esporte e leitura, além de atividades para a socialização dos alunos, como festas e apresentações estudantis. Isso ajuda a criar na escola um clima agradável. O resultado: “a gente ama a escola, adora a escola, gosta de estudar! A gente adora a tia Adriana, os professores têm muito carinho”, disse um aluno aos pesquisadores. A criação de um bom clima escolar, ausente em muitas unidades de ensino do país, está ligado a um desempenho superior da classe estudantil.

Alunos que sabem Português: 93%
Alunos que sabem Matemática: 92%
Média do Brasil: 37% (Português) e 33% (Matemática)

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Região Nordeste – Pedra Branca (CE)

Escola Maria Alves de Mesquita
Ideb (2011) – 7,8
Ideb (2007) – 3,5

O que a escola fez: Parte do sucesso desta escola é explicada pela melhora da rede pública de toda a cidade, desenvolvimento conquistado também com medidas impopulares. Por isso, o apoio real de políticos à causa da melhoria da educação é tão importante. O prefeito, por exemplo, apoiou a extinção de algumas escolas rurais, que atendiam a um grupo muito pequeno de alunos e até por isso não apresentavam qualidade, colocando estas pessoas em unidades com ensino superior, facilitando o acompanhamento da aprendizagem por parte da Secretaria.

Alunos que sabem Português: 81%
Alunos que sabem Matemática: 90%
Média do Brasil: 37% (Português) e 33% (Matemática)

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Reprodução Relatório Excelência com Equidade, da Fundação Lemann e Itaú BBA

Região Nordeste – Sobral (CE)

Escola CAÍC Raimundo Pimentel Gomes
Ideb (2011) – 8
Ideb (2007) – 5,3

O que a escola fez: Os professores identificam nas turmas os alunos com melhor desempenho em determinada disciplina. Esses vão trabalhar com aqueles que têm pior desempenho, atuando como “monitores” para os que estão com mais dificuldade. De modo geral, o que se vê nessa escola – e nas demais analisadas – é que as ações pedagógicas não são mais pautadas por intuição, mas sim solidamente embasadas em evidências e dados de aprendizagem.

Alunos que sabem Português: 81%
Alunos que sabem Matemática: 90%
Média do Brasil: 37% (Português) e 33% (Matemática)

Marcello Casal Jr./AGÊNCIA BRASIL

Marcello Casal Jr./AGÊNCIA BRASIL

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