Thales de Menezes, na Ilustrada

Falar que as biografias de astros de rock formam um subgênero lucrativo no mercado editorial não é novidade. O que surpreende é a imaginação de alguns autores que engrossam esse filão.

Entre os mais de 90 títulos lançados em 2012 no Brasil –compondo mais de 250 nos últimos três anos– há bizarrices como “A Biografia Espiritual de George Harrison” (Madras, R$ 30) e “A Sabedoria dos Beatles nos Negócios” (Campus, R$ 55).

Nem é preciso entrar no mérito da escolha dos Beatles para inspirar um livro de gerenciamento –logo a banda inglesa, que perdeu milhões ao montar uma gravadora– para perceber que o exagero corre solto nas livrarias.

Um volume curioso lançado há pouco é o livro de mesa “Tesouros dos Beatles”, que integra uma coleção da editora Lafonte.

Os livrões são vendidos em caixas que trazem itens de colecionador, como reproduções de pôsteres de shows, ingressos, listas manuscritas com o repertório das apresentações e fotos raras.

A coleção tem, até agora, títulos dedicados a Led Zeppelin e Nirvana. Com o mesmo formato e preço (cerca de R$ 150), a editora lançou também “40 Anos do Queen”, que inclui CD com uma entrevista da banda em 1977.

Nêmesis dos Beatles, os Rolling Stones tiveram mais sorte editorial no ano passado. Além do ótimo livro de fotos “Early Stones” (Planeta do Brasil, R$ 60), saíram as boas biografias “Mick Jagger”, de Philip Norman (Companhia das Letras, R$ 60), e “Ron Wood – A Autobiografia de um Rolling Stone” (Generale, R$ 55).

As duas formam, ao lado de “Vida” (Globo, 2010, R$ 49), a autobiografia de Keith Richards, um trio de memórias dos Stones. Para completar, falta por aqui um livro sobre o baterista Charlie Watts.

O único volume digno de nota sobre ele é “Charlie Watts”, de Alan Clayson. A última edição americana, de 2004, não é fácil de achar.

Falando de livros estrangeiros, já existe uma nova leva de biografias lançadas nos Estados Unidos nos dois últimos meses que esperam futuras edições brasileiras.

São livros sobre Prince e Bruce Springsteen e relatos pessoais de Rod Stewart e Pete Townshend (veja quadro ao lado). A autobiografia de Rod Stewart compõe uma leitura cruzada com a de Ron Wood, já que tocaram juntos em duas bandas (Jeff Beck Group e Faces), por oito anos.

ESPAÇO PARA TODOS

Além de medalhões, nomes de menor apelo têm espaço. Bom exemplo é “A Arrasadora Trajetória do Furacão” (Madras, R$ 32), história do New York Dolls. Quinteto de glitter rock dos anos 1970, os Dolls foram pedra fundamental do punk.

Mas nem só de veteranos vive o mercado. A boy band inglesa One Direction, fenômeno teen de 2012, tem sete biografias em português e mais 12 títulos no exterior.

Madonna e Lady Gaga, que vieram ao país há pouco, ganharam livros oportunistas.

Pelo jeito, o negócio vai muito bem, obrigado.

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress

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