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Diplomatas de Israel procuram bíblia hebraica antiga na Universidade de Coimbra                                                   Elisardojm, Wikimedia Commons

A “Bíblia hebraica de Abravanel”, do século XV, é um dos livros mais raros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC) e costuma ser procurada pelos representantes de Israel em Portugal.

O livro sagrado foi manuscrito em 1450, em Lisboa, por encomenda do financista Isaac Abravanel, um judeu português com ligações familiares a Sevilha.

A obra é procurada “pelos embaixadores de Israel que tomam posse”, disse à agência Lusa o diretor da BGUC, José Augusto Bernardes, indicando que os diplomatas de Telavive vão “a Coimbra visitar a bíblia hebraica como quem se dirige a um santuário”.

Uma bíblia latina de 48 linhas (editada no século XV em Mogúncia, na gráfica que pertenceu ao alemão Gutenberg, inventor da prensa móvel), a primeira edição de “Os Lusíadas”, de Camões, e os dicionários Tupi-Português estão também entre os livros raros da Biblioteca.

O diretor adjunto, Maia Amaral, explica a importância de outras preciosidades, como os manuscritos de Almeida Garrett ou o primeiro livro imprimido no Brasil.

“Temos a conviver manuscritos do século XII com livros do século XXI”, disse Augusto Bernardes, enquanto mostrava um missal seiscentista do Mosteiro de Santa Cruz, acabado de restaurar.

A Biblioteca, acolhida em 1962 num edifício construído na Alta da cidade, vai celebrar 500 anos, com um programa que terminará em janeiro de 2014.

Herdeira da Casa da Livraria, mencionada numa ata de 1513, a BGUC integra a Biblioteca Joanina, erguida no reinado de D. João V, onde se encontram 55 mil volumes para consulta.

“Esta biblioteca é realmente uma joia da Universidade e do país e, de algum modo, configura um verdadeiro milagre”, enfatizou o diretor.

Monumento nacional em estilo barroco (edifício, decoração e mobiliário), a Biblioteca Joanina foi construída “paredes meias com a capela de S. Miguel”, o que constitui “uma associação pouco vulgar entre razão e fé”, referiu.

“É uma joia conseguida num tempo em que estes milagres não aconteciam muito”, adiantou, ao realçar que “os estrangeiros ficam surpreendidos por nessa altura se ter dedicado uma casa destas a livros”.

Mas a Biblioteca Geral, com diferentes denominações ao longo dos séculos, talvez acabe por ter “os anos que a Universidade tem”, admitiu.

“O mais provável é que a Universidade, criada em 1290, tenha tido desde logo uma casa para guardar os livros dos lentes”, segundo José Augusto Bernardes.

“Queremos, sobretudo, aproveitar para refletirmos sobre aquilo que somos e o que podemos ser”, disse.

Trata-se “da mais rica e uma das mais extensas bibliotecas universitárias de todo o mundo lusófono”, incluindo o Brasil.

A historiografia do país de Lula, Buarque e Vinicius “beneficiou muito destes acervos”, afirmou José Augusto Bernardes.

É que os livros “são o suporte que atravessa os séculos”, como evidenciou o reitor João Gabriel Silva. Já os registos digitais “têm um tempo de vida muito curto”.

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