banner-cultura-1Rodrigo Salem, no F5

Em 2005, Carlos Costa pediu demissão de seu emprego como gerente financeiro de mercado. A intenção era se dedicar a publicação de revistas em quadrinhos, sua maior paixão.

Em uma conversa de boteco, convidou os amigos Artur Tavares e Leonardo Vicente para a empreitada. Cada um deu R$ 500 para abrir a editora HQ Maniacs. Meses depois, compraram os direitos de duas HQs americanas.

Uma era “Invencível”, sobre um herói adolescente, e, a outra, “The Walking Dead”, um gibi de zumbis que acumulava boas críticas, mas patinava nas vendas.

A escolha óbvia para o primeiro lançamento era “Invencível”. Empolgados, imprimiram 3.000 exemplares do primeiro volume. Mas o título encalhou. “A gente achava que ‘Invencível’ venderia horrores, mas não foi o que aconteceu”, lembra Costa.

Em seguida, lançaram “Os Mortos Vivos”, cujos direitos de publicação custaram US$ 1.000 (R$ 2.000). Foram 1.500 exemplares distribuídos para lojas especializadas. Por três anos, as histórias não passaram da primeira edição.

Entre 2008 e 2009, os três amigos sequer lançaram os títulos, pois não conseguiram recuperar o dinheiro do investimento.

Até que chegou 2010. “The Walking Dead” estreou na TV americana e se transformou em um fenômeno de audiência, atraindo 7 milhões de pessoas por episódio. Os direitos de publicação da HQ, nos Estados Unidos, é estimado em US$ 10 milhões (cerca de R$ 20 milhões).

No Brasil, o fenômeno se repetiu. Com os direitos renovados antes da série tomar forma, o trio manteve a publicação dos álbuns e lançou o gibi mensal, em dezembro passado, com o título de “The Walking Dead”.

“Imprimimos 30 mil exemplares do primeiro número e a Dinap [distribuidora] já pediu para aumentarmos a tiragem”, conta Costa. Por cima, cada título pode render até R$ 120 mil por mês.

“Sentimos que nossa editora finalmente está começando. No início, pedimos ajuda para várias pessoas. Agora, correm atrás da gente. Mas eles só querem ‘The Walking Dead’.”

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