Publicado no Boa Informação

No passado, escritoras como Charlotte Brontë (1816-1855) e Mary Ann Evans (1819-1880) tiveram que adotar pseudônimos masculinos para que seus livros pudessem ser publicados. Mas a situação se inverteu para o veterano de guerra britânico Bill Spence, autor de uma série de histórias de amor.

Spence, 89, escreveu 22 livros assinando como Jessica Blair, segredo guardado desde 1993. A identidade do autor foi revelada na semana passada, com a publicação no Reino Unido de seu romance mais recente, “Silence of the Snow” (O Silêncio da Neve, em tradução livre).

Bill Spence sempre desejou escrever histórias de amor, mas os editores disseram que seus livros teriam de ser publicados sob um pseudônimo feminino, se ele quisesse vender. E assim Jessica Blair nasceu.

“Você não pode dizer não aos editores. Eu estava muito feliz apenas por ter encontrado alguém que quisesse publicar meus livros e nunca me incomodei de tê-los assinado com um nome feminino”, disse o autor ao jornal “Daily Mail”.

O britânico, que lutou durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), começou sua carreira como romancista escrevendo westerns, 36 dos quais foram publicados entre 1960 e 1992.

“Na década de 1980, escrevi um livro de não ficção sobre caça às baleias e decidi que tinha bagagem para escrever uma história de amor que usasse o tema como pano de fundo. Escrevi ‘The Red Shawl’ em meu próprio nome e o enviei para uma editora.”

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O veterano da Segunda Guerra Mundial Bill Spence, que escreveu romances sob o pseudônimo Jessica Blair
O veterano da Segunda Guerra Mundial Bill Spence, que escreveu romances sob o pseudônimo Jessica Blair

Os editores, então, pediram a Spence que mantivesse a autoria do romance em segredo e o publicaram em nome de uma certa Jessica Blair.

À Folha, agentes da HarperCollins, editora que publica os romances de Spence desde os anos 1990, disseram que “os editores acreditavam que o público se sentiria mais confortável se as histórias de amor fossem assinadas por um nome feminino. Talvez eles não tivessem feito sucesso se os livros fossem publicados com a assinatura de Spence”.

A editora nega que a identidade de Jessica Blair tenha sido revelada agora como uma tentativa de aumentar as vendas do novo romance e ainda não confirma se os próximos livros serão assinados por ele ou por seu pseudônimo feminino.

Os romances relatam histórias de amor conturbadas e, apesar de já terem constado na lista dos mais vendidos no Reino Unido, a crítica literária foi pouco gentil com o autor, classificando seus livros como “pastiche” e “uma espécie de Jane Austen para preguiçosos”, em referência à autora de “Orgulho e Preconceito”.

O autor leva cerca de nove meses para escrever um livro. “É muito diferente escrever livros românticos de westerns. Por um lado, histórias de amor são bem mais longas, com 100 mil palavras, enquanto os westerns, cerca de 45 mil.”

Spence era professor de uma escola infantil, mas foi convocado para servir no Comando da Força Aérea Real (RAF), do Reino Unido, quando a Segunda Guerra estourou.

Após o fim do conflito, a RAF o enviou para servir em colônias britânicas na África. Quando voltou para a Inglaterra, ele se mudou para Ampleforth, no norte do país, com sua mulher. O primeiro livro –um romance de guerra chamado “Dark Hell” (Inferno Escuro, em tradução livre)– foi publicado em 1959.

Após 21 anos ele revelou que seus fãs nunca haviam suspeitado que Jessica Blair era, na verdade, um homem.

“Quando escrevo, tento imaginar uma perspectiva feminina para contar aquela história, mas ainda acredito que o mais importante é comover o leitor. E isso independe de gêneros.”

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