Recordista em perfis de celebridades, autor americano já publicou 60 livros

Obras do autor venderam mais de 10 milhões de cópias Divulgação

Obras do autor venderam mais de 10 milhões de cópias Divulgação

Silvio Essinger, em O Globo

RIO – Aos 60 anos de idade, o americano Mark Bego é recordista num campo bastante específico (e atraente): o de biografias de ídolos pop, boa parte deles, músicos. Entre os 60 livros que publicou (e que somaram mais de 10 milhões de cópias vendidas), Bego ofereceu mergulhos nas vidas de Elvis Presley, Michael Jackson, Tina Turner, Aretha Franklin, Elton John e outros. Um de seus mais recentes (e comentados) trabalhos acaba de chegar ao Brasil: é “Whitney Houston! A espetacular ascensão e o trágico declínio da mulher cuja voz inspirou uma geração”, primeiro lançamento da Sonora, editora especializada em livros sobre música do produtor fonográfico Marcelo Fróes. Como o longo título dá a perceber, trata-se da biografia da cantora americana, uma das maiores estrelas do pop mundial, que morreu em fevereiro do ano passado, num afogamento acidental, na banheira de um hotel, após consumir cocaína.

— Durante um tempo, Whitney tinha tudo: discos no topo das paradas, uma promissora carreira no cinema e um dos shows mais concorridos do planeta. Quando ela estrelou “O guarda-costas” em 1992, com Kevin Costner, era universalmente reconhecida como uma das mais belas mulheres no mundo, independentemente de ser negra ou branca — conta Bego, por e-mail. — No entanto, com dinheiro que não acabava mais e acesso a tudo, ela escolheu um oportunista (o cantor Bobby Brown, do grupo New Edition) como marido e virou uma usuária contumaz de drogas. Isso acabou com sua saúde, imagem, voz e, por fim, com sua vida.

O escritor conheceu Whitney nos anos 1970, quando era repórter cultural, e ela, cantora de apoio da mãe, a diva soul Cissy Houston. Em 1978, ele escreveu o primeiro livro sobre aquela jovem estrela, que despontava.

— Tive a honra de ver as conquistas de Whitney com meus próprios olhos — diz Bego. — Apesar de manter contato com ela de vez em quando, nunca tive muita proximidade ou amizade. Dessa forma, pude observar sua vida de um ponto de vista privilegiado, ainda mais quando as coisas começaram a dar errado em sua vida. Só fui vê-la novamente de perto numa premiação em Hollywood, quando estava com Bobby Brown. Parecia que a vida estava pesando sobre ela. Em suma, tive a oportunidade de ver Whitney Houston no seu melhor e no seu pior.

Em 2009, o escritor fez uma atualização do seu livro, a tempo para a turnê da volta de Whitney aos palcos (que foi um fracasso). Mal correram as notícias da morte da cantora, seu agente literário saiu fechando contratos de publicação da biografia no mundo inteiro.

— Nesse negócio, o “timing” é tudo, e a morte de uma estrela desse porte repentinamente mobiliza as atenções de todos — explica o escritor. — Todos querem saber detalhes sobre sua vida e sobre a tragédia de sua morte. Ao longo de quatro dias, consegui fazer uma atualização completa da obra e mandá-la para os editores. Eu estava determinado a escrever o primeiro livro sobre sobre a ascensão e queda de Whitney.

Histórias de DiCaprio em 10 dias

O que não foi nada de mais para quem, certa vez, cumpriu a promessa de escrever sozinho, em 10 dias, uma biografia do ator Leonardo DiCaprio.

— Sem um deadline nos meus calcanhares, esse processo pode se estender indefinidamente. Meu desafio é cumprir os prazos e, em seguida, partir para o próximo projeto, suavemente — gaba-se ele, que é considerado “O príncipe das biografias pop”. — Ganhar esse título nunca foi algo que eu planejasse, mas eu o aceito de bom grado. O que me atrai para esses personagens é a curiosidade: como eles conseguem criar obras tão maravilhosas? Eu me divirto tanto com isso que sempre acabo fazendo mais livros.

A rotina de trabalho de Mark Bego nas suas biografias é bem simples.

— Quando estou começando um livro sobre um cantor ou ator, fico obcecado em obter todas as gravações, filmes ou aparições em TV, a fim de entender o que os faz tão empolgantes e bem-sucedidos. Aí, vou ler tudo que conseguir sobre eles — conta. — Se estou escrevendo uma colaboração “autorizada” com uma celebridade, como as que fiz com Martha Reeves (do grupo Martha Reeves & The Vandellas) ou Micky Dolenz (dos Monkees), faço perguntas pensando no que quero saber. Mas se o livro é feito sem a cooperação do biografado, saio entrevistando todas as pessoas em volta dele. Muitos querem contar seu lado da história.

Para o escritor, sua responsabilidade como biógrafo é “relatar os fatos corretamente e contar uma história que seja divertida e fascinante para o leitor”.

— Se descubro coisas maravilhosas sobre a celebridade, falo delas positivamente — ensina. — Mas se descubro algo trágico ou irracional, como o vício em cocaína de Whitney Houston, tenho que falar com franqueza sobre ele. Minha honestidade nem sempre deixa os artistas felizes, como foi o caso de Aretha Franklin. Mas fatos são fatos.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments