Ana Krepp, na Folha de S.Paulo

Conversando com gente que encontra em rodoviárias, albergues, hotéis, restaurantes e pontos turísticos de cidades de diversas regiões do Brasil, Caio Dib, 22, tem descoberto escolas e projetos educacionais inovadores.

Formado desde o fim do ano passado em jornalismo, ele partiu de São Paulo a Belém, em março, para uma viagem de cinco meses pelo país, de ônibus.

Eram dois os objetivos na partida: conhecer, de fato, o Brasil e mapear boas práticas em educação.

“Eu não conhecia a realidade do meu país, vivia fechado em escritórios e precisava crescer como pessoa. Para isso, precisei conhecer mais da educação, que é intrínseca à realidade”, diz.

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Há três meses na estrada, ele percorreu mais de 9.000 quilômetros e passou por 42 cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nos próximos dois meses, ele pretende visitar pelo menos mais 21 cidades.

Caio ficou surpreso com a quantidade de iniciativas que encontrou no Nordeste. O Ceará, particularmente, lhe chamou a atenção.

“Eles tiram ótimas notas nas provas oficiais do governo. O Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] tem uma meta para 2021 que várias escolas de lá já bateram”, diz.

Em Pentecoste, a 85 km de Fortaleza, ele visitou uma escola técnica estadual “com infraestrutura de colégio particular e método de aprendizagem cooperativa.”

Os alunos se reúnem em grupos de três a seis crianças, leem e debatem o tema de cada aula.”Aprendem a argumentar, ouvir opiniões e a trabalhar em grupo.”

No Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador, conheceu uma parceria entre sete escolas locais que preconiza que qualquer lugar pode ser uma sala de aula.

“Por que não aprender biologia no parque, em vez de aprender no laboratório da escola?”, questiona.

ROTEIRO

“Antes de sair fiz um planejamento do roteiro da viagem, mas muda tudo quando chego em um lugar e fico sabendo que na cidade vizinha tem algo interessante.”

No primeiro dia em uma cidade, Caio costuma ficar na recepção de um hotel para conversar com pessoas e pegar dicas de projetos interessantes. No dia seguinte, anda pelas ruas e visita museus.

“A maioria dos monitores de museus é estudante de licenciatura e está envolvido de alguma maneira com educação, então eles me dão dicas.”

O planejamento inicial, de ficar no máximo três dias em cada cidade, caiu por terra. Lugares como Salvador e Brasília ocuparam mais de uma semana do roteiro.

Imprevistos como esse fizeram Caio rever também seu planejamento financeiro. Os R$ 6.000 reservados para os gastos com hospedagem, deslocamento, alimentação e imprevistos foram revistos.

A nova previsão é que R$ 15 mil sejam suficientes para mantê-lo até agosto.

Quando voltar a São Paulo, a ideia é lançar dois livros. Um sobre as experiências que viveu e outro sobre os projetos educacionais mais interessantes que encontrou.

dica do Chicco Sal

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