Congresso da CBL termina hoje

Cassia Carrenho e Iona Teixeira Stevens, no PublishNews

1O primeiro dia do Congresso do Livro Digital da CBL trouxe uma programação eclética: pela manhã o professor Silvio Meira, da UFPE, abriu o congresso falando sobre programação e apresentando novas possibilidades de formatos do livro digital. Em seguida, representantes internacionais dos direitos reprográficos apresentaram as consequências da revolução digital para editores, consumidores e autores. Os 3 participantes da mesa descreveram também as atuações das respectivas instituições, mas a mensagem em comum de Rainer Just, Presidente da International Federation of Reproduction Rights Organization (IFRRO), Magdalena Vinent, Diretora Geral do Centro Espanhol de Direitos Reprográficos (CEDRO) e Victoriano Colodrón, Diretor do Copyright Clearance Center (CCC) foi a necessidade de se combater a ideia generalizada de que conteúdo na internet deve ser gratuito. “O consumidor hoje em dia quer ter tudo, agora e de graça”, contou Just, “nós podemos fornecer ‘tudo’ e ‘agora’, mas não pode ser de graça. O que fazemos é trabalho, e trabalho deve ser remunerado”, insistiu.

De direitos reprográficos a análise teórica do futuro do livro. A acadêmica Lucia Santaella, da PUC-SP, abriu sua palestra mostrando as revoluções tecnológicas pelas quais o livro já passou. “Essa ideia de que essa é a primeira revolução do livro desde Gutenberg é um equívoco”, afirmou Santaella. E cada revolução tecnológica criou um tipo de leitor, até chegar ao leitor imerso e ubíquo das redes sociais, que satisfaz instantaneamente sua curiosidade. Para Santaella, o que estamos passando é uma revolução não apenas antropológica como também biológica, onde haverá “um aumento da externalização do caráter híbrido do pensamento humano”. Mas, mesmo se o livro se tornar totalmente digital, Santaella garante que ele não vai desaparecer: “Se o livro desaparecer, desaparece também a especialização. E numa era de ‘hiper-especialização’, não tem como isso acontecer”.

À tarde, no painel “O livro infantil digital e juvenil – livro ou game”, o destaque foi a autora e ilustradora Angela Lago, que mostrou como é possível, de forma bem simples, usar e ousar num ambiente digital. Ela mostrou seus livros digitais, feitos por ela mesma, usando a simples tecnologia em Flash. A autora ainda deixou um recado aos editores: “Por favor, já vimos tudo o que é possível fazer no ambiente digital. Agora tirem esse monte de recursos que acabam atrapalhando. Só o dicionário está ótimo”.

No último painel do dia, Ricardo Garrido, diretor de operações do iba, e Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, apresentaram dados que contam um pouco mais sobre perfil dos consumidores de tablets no Brasil. Segundo Garrido, em 2012 foram vendidos 2,9 milhões de tablets e a previsão é que em 2013 a marca chegue a 5,4 milhões – hoje 41% dos consumidores usam o tablet para ler livros digitais. Sergio Herz afirmou que embora as vendas de tablets estejam crescendo, esse é o meio onde há menos retenção de leitura para os livros digitais. Já nos e-readers a retenção é maior, só perdendo mesmo para o livro físico. Herz ainda afirmou que, segundo a pesquisa, 48% das pessoas que tem tablets continuam comprando livros físicos.

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