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Publicado por Pó dos Livros

A biblioteca pessoal é uma espécie de espelho do que somos, como uma segunda pele, impressão digital única que nos distingue dos outros. Não há duas bibliotecas iguais. Em geral uma biblioteca pessoal torna-se curta, à medida que o proprietário, curioso, sedento de conhecimento, aumenta a sensação de biblioteca incompleta.

A biblioteca pessoal pode ser tão pessoal como a roupa que vestimos, íntima, intransitiva, aparência do que desejamos ser, guardada só para nós como um erário precioso. A biblioteca pessoal não se constrói de um dia para o outro, a não ser que se herde uma, mas aí passa a ser impessoal e é forçoso que a leiamos para fazer dela a nossa biblioteca.

Leva anos a construir uma biblioteca, livros e mais livros, sempre poucos, escolhidos a dedo. Uma biblioteca não é uma biblioteca pela quantidade de livros que contém, mas pelo carácter dos livros escritos por quem os outros deixaram o seu nome assinalado e para que, necessariamente, faça jus ao nome de biblioteca.

Doutra forma é apenas um amontoado de papel, bibelots coloridos que servem de adorno a uma prateleira qualquer. E quem não entender isto, para quem não tiver sensibilidade nem espírito, basta apenas um mau livro para possuir uma biblioteca folgada.

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