A partir de fotografias, britânico explica processo criativo do pintor espanhol Pablo Picasso

Aline Viana, no Último Segundo

O crítico e historiador britânico T.J. Clark deu uma aula sobre o processo criativo do pintor espanhol Pablo Picasso nesta quinta-feira (4) na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Durante sua fala na mesa “Olhando de novo para ‘Guernica’, de Picasso”, o historiador apoiou sua análise nas fotografias que a mulher do pintor, Dora Maar, tirou do quadro durante todas as fases de sua execução.

Aline Viana T.J. Clark participa de mesa na Flip 2013

Aline Viana
T.J. Clark participa de mesa na Flip 2013

A obra, que tem dimensões de 7,82m x 3,50m e representa o bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em abril de 1937, foi elaborada e concluída em pouco mais de um mês e se tornou uma das principais obras de arte do século 20.

“Os três anos que precederam ‘Guernica’ são complexos e difíceis para Picasso. Ele ficou meses sem pintar nada, fazendo gravuras, jogando todas as suas energias numa poesia esquisita e, ao meu ver, muito ruim. ‘Guernica’ é o despertar a esse transe”, revelou Clark.

AP O quadro 'Guernica', de Pablo Picasso

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O quadro ‘Guernica’, de Pablo Picasso

Para Clark, Picasso impôs vários desafios a si mesmo durante a execução do quadro. “[A obra] teria que ser retratada isolando os indivíduos como o terror isola as pessoas, mas em num espaço comum. A privacidade havia sido dilacerada. A sala dava lugar à rua. As pessoas teriam que estar de fato caindo pelas janelas, gritando. Havia o imperativo de tornar a dor pública. Significa situar isto no mundo exterior, encarnar a dor, torná-la real, material. São imperativos (criativos) nobres e a necessidade eventual do quadro de responder a esses imperativos é o que lhe dá vida tão longa”, analisou o historiador.

A opção por organizar a obra em um padrão hexagonal em um padrão de luz e sombras foi decidida no meio da produção. “Sempre houve críticos que detestaram a geometria de ‘Guernica’, que a consideravam acadêmica. Penso que Picasso queria produzir uma atividade tonal pesada, que contrabalançasse a luz e sombra. ‘Guernica’ sofre imensamente o preço da fama”, concluiu o historiador.

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