O Widbook, plataforma de escrita colaborativa, surgiu de um pedido de um professor para escrever um livro online

Thiago Cid na revista PEGN

Tela do site Widbook (Foto: Reprodução)

Logo que nasceu, em junho de 2012, a plataforma de escrita colaborativa Widbook já foi batizada de “o YouTube dos livros” pelo site Mashable, referência mundial em tecnologia e empreendedorismo. A recepção calorosa da mídia foi a coroação de um ano de trabalho intenso dos empreendedores Flávio Aguiar, André Campelo e Joseph Henri Bregeiro. O produto foi considerado tão inovador que, mesmo sem saber como irá obter sua receita, a startup já recebeu investimentos do grupo W7 e foi apresentada como um dos negócios mais originais no evento Start Series, realizado há duas semanas nos Estados Unidos.
Ao oferecer um espaço em que as pessoas podem escrever e compartilhar seus livros em tempo real, o Widbook aglutina uma série de tendências da internet 2.0, como redes sociais, colaboração e cocriação. Mas os empreendedores não olhavam para essas tendências quando desenvolveram o produto. Longe de todos os insights teóricos, eles buscavam resolver um problema real. “Havia um amigo professor da Unicamp que me pediu para criar um site para ele escrever o livro online”, diz Flavio Aguiar. Com o tempo, outros professores também pediram para usar a plataforma e sugeriram que ela permitisse que mais de uma pessoa pudesse redigir os textos.

Aguiar comentou sobre a experiência com Campelo e Bregeiro e os três vislumbraram uma oportunidade de negócio. Eles desenvolveram uma versão simplificada do Widbook e decidiram testar a plataforma diretamente no mercado. “Queríamos ver a reação sobre nosso produto, se funcionava e era atrativo, antes de falar com investidores”, afirma André Campelo. Ele conta que, após publicar o site da Widbook, eles escreveram um breve release para a imprensa e vasculharam o impacto na rede. “A recepção foi ótima”, diz Aguiar. “Em nossa primeira semana tivemos o reconhecimento da Mashable e de muitos usuários. Foi o sinal de que realmente deveríamos apostar na empresa”.

Com a casa montada, o trio foi buscar investidores. Nessa busca, o produto inovador foi o atrativo para os capitalistas. “Não nascemos com um modelo de negócio pré-definido”, afirma Aguiar. “Temos alguns cenários para a monetização, mas, como a tecnologia era disruptiva, temos também de criar modos de cobrar por ela.” Uma das possibilidades é a adoção do modelo freemium, que libera algumas funcionalidades básicas gratuitamente e exige pagamento pelo uso das ferramentas premium.

O foco do momento, porém, está no entendimento dos perfis dos usuários e dos vários usos que o Widbook pode ter. A startup recebeu um investimento do fundo W7 e está capitalizada para continuar suas pesquisas de mercado. A plataforma já tem mais de 25 mil escritores de 201 países e livros escritos em 26 línguas, de acordo com os empreendedores. Os principais mercados são os Estados Unidos e a Ásia.

No Brasil, a audiência ainda é tímida. O trio empreendedor encara o mercado nacional como um desafio e uma missão social. “É um orgulho proporcionar uma forma para novos talentos se lançarem e estimular o povo a pensar e se comunicar”, diz Aguiar.

 

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