Divulgação/L&PM

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Publicado por UOL

Após os protestos explodirem no Brasil inteiro, a polícia do Rio de Janeiro se envolveu em uma polêmica ao fazer a busca e apreensão na casa de um jovem de 21 anos, suspeito de ter praticado vandalismo durante uma manifestação. A polícia saiu da casa do rapaz com facas, martelos e o livro “Mate-me Por Favor”, clássico sobre a história punk escrito por Legs McNeil e Gillian McCain. De acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, o delegado que cuidava do caso afirmou: “[O livro foi apreendido] para demonstrar a ideologia dele frente a nação brasileira, de defesa da anarquia”. Em um post aberto, o dono da editora L&PM, Ivan Pinheiro Machado, que publicou a obra, afirmou: “Um delegado que não serve a uma ditadura e apreende um livro é porque tem a vocação do autoritarismo. E nenhum respeito por um livro”. O UOL listou 15 livros e HQs que podem ser considerados “perigosos” por sua ironia, conteúdo ou título – afinal, todo cuidado é pouco para quem os carrega na mochila nesses dias intensos.

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“V de Vingança”, de Alan Moore. Série em HQ criada por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd. A história se passa no Reino Unido, quando um misterioso revolucionário tenta destruir o governo através de ações diretas. Virou filme em 2006 com Natalie Portaman. Mas a essa altura até sua avó reconheceria a máscara do Guy Fawkes que estampa a capa.

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“Manual do Guerrilheiro Urbano”, de Carlos Marighella. Escrito em 1969 pelo guerrilheiro e um dos principais organizadores da resistência contra a ditadura militar no Brasil, circulou, principalmente na época do regime, em versões mimeografadas, por vezes até com uma capa. Na obra, Carlos defendeu métodos a serem empregados pelos revolucionários brasileiros. A obra pode ser encontrada facilmente na internet. Mesmo se for um xerox para a aula de história do Brasil, é bom esconder.

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“Como Montar uma Mulher Bomba”, de Luciana Pessanha. Um livro sobre embates amorosos, o que fica evidente na mensagem estampada na capa: “Manual Prático para Terroristas Emocionais”. Mas vai que alguém te reviste, ache o livro e não termine a frase…

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“O Capital”, de Karl Marx. Um marco do pensamento socialista marxista, “O Capital” é um conjunto de livros que critica o capitalismo. E sempre está na bibliografia em cursos como sociologia, filosofia e teoria política. Em uma manifestação, deixe-o em casa. Até porque, pelo tamanho, pode funcionar mesmo como arma.

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“Clube da Luta”, de Chuck Palahniuk. A história de um “homem comum” que reage com agressividade autodestrutiva rendeu filme cult, dirigido por David Fincher em 1999. E nem precisa ler o livro até o final para saber que se trata de uma história anarquista até o talo.

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“Lolita”, de Vladimir Nabokov. Publicado pela primeira vez em 1955, o livro conta a história de um professor que se apaixona por sua enteada de doze anos. Na época, o escritor russo foi tachado de pedófilo. A história rendeu filmes e outros livros inspirados pela polêmica.

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“Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato. Um clássico da literatura infantil. Que mal pode fazer? Acontece que a história, publicada em 1933, foi alvo de polêmica quando foi distribuída na rede pública de ensino em 2012 sob acusações de racismo. Entre os trechos que justificaria a acusação estão alguns em que Tia Nastácia é chamada de “negra”.

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“O Príncipe”, de Maquiavel. Escrito em 1513, é um dos clássicos livros sobre política e sobre a construção do conceito de Estado como conhecemos. É obrigatório nas faculdades, mas também foi “livro de cabeceira” de ditadores como Hitler e Stálin.

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“Situacionista – Teoria e Prática da Revolução”. O livro reúne os principais tratados da Internacional Situacionista, movimento que atingiu seu pico de influência e atividade na década de 60. A publicação resume pensamentos de poetas, arquitetos, cineastas e artistas plásticos, em sua maior parte com críticas à sociedade de consumo e à cultura mercantilizada. Além do conteúdo, o fato de não ter um autor determinado pode causar problemas.

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“Urgência das Ruas – Black Block, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global”, organizado por Ned Ludd. Lançado no Brasil pela Conrad, dentro da coleção Baderna, o livro é uma antologia de mensagens trocadas na preparação das ações contra o capital. Alguns textos são assinados; outros, anônimos; mas muitos foram veiculados pela internet. Altamente “perigoso”.

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“Taz – Zona Autônoma Temporária”, de Hakim Bey. O conceito de Zona Autônoma Temporária é de combate ao poder através da criação de novos espaços (que podem ser virtuais). Não a toa, ganhou repercussão na internet, principalmente no círculo de ativistas de esquerda. Mais um livro da coleção Baderna – que por si só, já pesa como uma granada na mochila.

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“Maus”, de Art Spiegelman. O autor dessa HQ ganhou o Prêmio Pulitzer, mas a capa de seu livro, com ratos judeus, um ditador felino e a suástica nazista de fundo na capa, pode falar mais alto. Conta a históra da luta de um “rato” judeu polonês para sobreviver ao Holocausto.

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“Transformando Vinagre em Mel”, de Ron Leifer. Pode parecer um guia para manifestantes que querem disfarçar o vinagre carregado na mochila, mas, na verdade, a publicação fala sobre como transformar o estresse, ansiedade, raiva e depressão em tranquilidade de espírito e compaixão.

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“O Livro Vermelho”. Coletânea de citações de Mao Tsé-Tung, mas também uma forma de culto à sua personalidade. Foi organizado por Lin Piao, Ministro da Defesa de Mao. Teve distribuição internacional na década de 60 e pode ser requisitado em um curso de história. É bom encapá-lo.

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“Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury. Escrito durante a Guerra Fria, é um livro sobre uma América futurista e hedonista onde os livros são proibidos. Ou seja, melhor evitar.

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