1

Gustavo Magnani, no Literatortura

O título pode gerar certa ambiguidade e dar a entender que o mercado editorial encolheu porque o preço do livro aumentou. A resposta direta para esse questionamento é não, não foi esse o motivo. A principal razão foi o fato do Governo ter comprado menos exemplares do que em 2011 – e isso mostra o quão dependente do Estado ainda são as editoras.

Mas, antes que alguém taque pedras no governo, é necessário explicar que em 2011 houve uma grande compra e 2012 foi o ano apenas de “‘preencher” lacunas e reabastecer livros.

A pesquisa ao qual baseio-me é a última edição da “Produção e e vendas do setor editorial brasileiro”, encomendada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a qual tem periodicidade anual e serve como parâmetro para analisar o mercado editorial brasileiro, suas tendências e seu funcionamento. Possivelmente, devo fazer mais matérias em cima desses números. Hoje pretendo me focar na diminuição do mercado e no aumento do preço dos livros.

Para isso usarei como texto base a matéria publicada no Oglobo. Todas as falas de especialistas foram retiradas de lá.

Quanto ao que já citei do mercado:

— A queda faz parte do ciclo normal dos programas do governo. Um ano eles compram muito, no outro são só reposições — diz Leonardo Müller, coordenador da pesquisa.

Porém, é interessante notar que o faturamento aumentou. Todavia, o número de exemplares diminuiu. Como isso é possível? Precisamos de outro fator, portanto, para que o faturamento tenha crescido. E eis o lamento para nós, consumidores: o preço do livro aumentou.

Mas, continuemos no mercado. Em suma:

As vendas diminuíram 7,36%.

A produção de livros diminuiu em 2,91%

O faturamento aumentou em 3,04%.

Ou seja, mesmo com a queda de produção e de vendas, o faturamento aumentou.

Explicação: preço dos livros aumentou (a ser tratado abaixo)

Ora, como, portanto, é possível que o mercado tenha encolhido? E aí entra outro fator, geralmente deixado de lado em uma análise mais detalhada: inflação.

O mercado encolheu porque a inflação da área cresceu mais do que o faturamento. Ou seja, a porcentagem do aumento de faturamento foi interior ao crescimento da inflação. Assim, é verdade que o mercado “cresceu” (aparentemente), mas não o suficiente para acompanhar a inflação. Ou seja, no final, a inflação venceu o faturamento e o mercado encolheu 3,04%, para ser mais exato, como pode conferir no gráfico abaixo:

1

PREÇO DOS LIVROS:

Como puderam ver, os livros tiveram um aumento razoável de 2011 para 2012, de aproximadamente 12,46% (um valor bastante razoável). É muito interessante a brusca queda de 41% em 9 anos, porém, o preço continua salgado para o brasileiro, principalmente quando se tratam se autores super valorizados, como Stephen King e até clássicos como Gabriel García Márquez (livros de 120 páginas custando 40 R$!).

Mas, em média, colocando tudo nos panos quentes, o valor do livro pulou de R$ 12,15 para R$ 13,66. Um aumento de R$ 1,51. É necessário, obviamente, lembrar que ele valor é antes dos exemplares chegarem às livrarias, o que costuma ser metade do preçofinal (nem sempre, como no caso de Gabo, King e tantos outros). Ou seja, se calcularmos baseado na exata metade, o livro teria um salto de R$ 24,30 para R$ 27,32!

Produto antes das livrarias: R$ 12,15 (2011) -> R$ 13,66 (2012)

Produto nas livrarias: R$ 24,30 (2011) -> R$ 27,32

Um salto bastante considerável.

— Tem um momento em que não dá para sustentar essa redução. Temos uma alta nos insumos do livro, como o papel. Os adiantamentos de direitos autorais também estão crescendo — diz Sônia (Sônia Jardim, presidente da SNEL).

— A queda é causada pela chegada das edições mais baratas, como os livros de bolso. Mas há outros atores na cadeia do livro. Embora os números indiquem que o preço caiu, esse não é um índice de inflação — diz Leonardo Müller.

Interessante notar, também, que os livros didáticos e religiosos tiveram o maior aumento entre os gêneros.

Respectivamente: R$ 19,62 para R$ 24,10; R$ 5,29 para R$ 6,26.

Valores acima da inflação, tendo sido os principais a alavancarem a subida de toda a pesquisa. O crescimento dos religiosos pode parecer insignificante (0,97 centavos), mas em porcentagem chega a quase 20%! Já os didáticos possuem um resultado direto bastante grande: mais de quatro reais e também mais de 20%!

Ou seja, o crescimento neste segmento não se fixou, de maneira alguma, apenas à inflação. Infelizmente, a tendência é de que os preços continuem subindo, ainda mais num ano bastante complicado como 2013 para a o controle inflacional. O panorama não é dos melhores para o Mercado editorial brasileiro, mas também não é dos mais obscuros.

Espero que tenham gostado e compreendido a análise que propus aqui. Como já disse, mais matérias sobre a pesquisa devem ser publicadas nesses dias. Deixe seus comentários e fique de olho no site.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments